Curitiba - D.S.P, 20 anos, que participou como aluno do Consórcio Social da Juventude (CSJ), braço do programa Primeiro Emprego do Ministério do Trabalho e Emprego, no primeiro semestre em Curitiba, deveria receber uma bolsa-auxílio de R$ 150 por mês. O jovem alega que recebeu o dinheiro no primeiro mês de curso e depois nunca mais conseguiu sacá-lo no Banco do Brasil. A organização não-governamental Fundação Estadual de Cidadania (FEC), que coordenou o CSJ no Paraná, alega que o jovem recebeu o dinheiro, porém mais de dois meses depois ainda não apresentou os comprovantes. Esta é mais uma denúncia que cinco entidades que executaram as oficinas do CSJ sob a coordenação da FEC fizeram ontem sobre supostas irregularidades, e até desvio de dinheiro, na administração do CSJ.
''Ele tentou sacar o dinheiro várias vezes. Foi até a FEC reclamar e lá disseram para ele ir até outra agência. É claro que se não está em uma agência não vai estar em outra. Eles enrolaram até que eu entrei na história. Fui até lá reclamar e fui informada que ele tinha sacado o dinheiro e que iam pedir para o banco os comprovantes, já que quem saca tem que assinar. Mas já faz mais de dois meses e eles não apresentaram nada até hoje. Ele nunca sacou este dinheiro'', afirmou a a advogada Jimenda Aranda, que trabalha com jovens carentes.
Outra dificuldade é o vale-transporte. Apesar de ter direito à meia-passagem, ao se cadastrar, D.S.P foi informado pela FEC que precisava fazer um novo cartão para pagar a tarifa integral. ''Se ele tem direito a meia tarifa não tem razão pagar inteira. Este dinheiro poderia ter sido aplicado em outras coisas'', afirmou Jamine.
Membros de cinco das seis entidades que executaram as oficinas do consórcio sob coordenação da FEC reafirmaram ontem as denúncias que já haviam feito por meio de um documento à Delegacia Regional do Trabalho (DRT) e ao Tribunal de Contas da União (TCU). As entidades se queixam de falta de transparência na prestação de contas feita em agosto pela FEC. Segundo eles, a Fundação não apresentou as notas fiscais dos gastos que fez e, durante a execução do CSJ, as entidades tiveram problemas financeiros como falta de matéria-prima, de equipamentos, tiveram que arcar sozinhas com o gasto de infra-estrutura (água, luz, etc.) e faltou o pagamento do último salário dos educadores. As entidades contabilizaram que pelo R$ 500 mil deixaram de ser investidos ou repassados.
As entidades executoras reclamaram também da omissão do MTE. A procuradora do Ministério Público do Trabalho, que representa o Instituto Lixo e Cidadania (Ilix), Margaret Mattos, afirmou que o relatório da coordenadora nacional do CSJ, Luciana Tannus, que visitou o Consórcio em junho, não é verdadeiro. Luciana não aponta falha nenhuma no CSJ do Paraná em seu relatório e reafirmou o fato à reportagem da Folha na semana passada. O MTE disse ontem apenas que vai mandar, amanhã, o secretário executivo do Ministério, Alencar Ferreira, para Curitiba conversar com as entidades.
A secretaria do TCU em Curitiba já analisou os documentos da FEC e apontou indícios de irregularidades. Por isso recomendou ao órgão em Brasília que, por enquanto, não repasse os R$ 7 milhões restantes para a FEC concluir o programa.
O presidente da FEC, Edson Padilha, voltou a afirmar ontem que tem documentos para comprovar que não existem irregularidades e que vai mostrá-los assim que for convocado pelo TCU, o que, segundo ele, ''vai esclarecer todas as questões''. Padilha afirmou que D.S.P. recebeu de fato a bolsa-auxílio e que ainda está esperando os comprovantes do Banco do Brasil.

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