Supremo abre inquérito contra deputado do PT
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sexta-feira, 16 de junho de 2006
Mariângela Gallucci<br> Agência Estado 
Brasília - A pedido do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, o ministro Cezar Peluso, do Supremo Tribunal Federal (STF), abriu inquérito para investigar a acusação de que o deputado federal José Mentor (PT-SP) teria recebido R$ 300 mil para excluir do relatório final da CPI do Banestado o nome do doleiro Richard Andrew de Mol Van Otterloo. José Mentor foi o relator da CPI, que funcionou em 2003 e 2004.
Em um despacho de apenas um parágrafo e datado do último dia 7, Cezar Peluso determinou que o inquérito fosse remetido à Polícia Federal (PF) para a realização de quatro diligências. O conteúdo dessas diligências não foi revelado nem pelo Supremo nem pela Procuradoria Geral da República.
Mentor foi absolvido recentemente pela Câmara dos Deputados num processo em que era suspeito de envolvimento com o mensalão. Ele também não foi denunciado pelo procurador-geral da República no inquérito aberto no STF para apurar o suposto pagamento do mensalão a parlamentares.
A nova acusação contra José Mentor surgiu num depoimento espontâneo prestado por Otterloo a integrantes do Ministério Público do Estado de São Paulo. Ao prestar o depoimento, o doleiro tinha a expectativa de reduzir uma pena de seis anos de prisão à qual foi condenado pela Justiça. ''Tal valor (R$ 300 mil) foi efetivamente pago em espécie (reais) em um flat localizado no bairro do Itaim Bibi, nesta capital, ao intermediário indicado por José Mentor'', afirma o termo de declaração. Na ocasião, o doleiro disse que recebeu o relatório final da CPI antecipadamente em disquete antes da data marcada para a apresentação que seria feita pelo deputado.
Após o depoimento, foi encaminhada à Câmara uma representação pela Promotoria de Justiça da Cidadania de São Paulo para apurar suposta participação do deputado. Por esse motivo, além do inquérito no STF, foi aberta uma apuração na Corregedoria da Câmara para investigar se as acusações feitas por Oterllo têm fundamento.
Ontem o deputado não comentou a decisão do ministro Cezar Peluso de abrir um inquérito para investigá-lo pelo suposto recebimento de uma propina do doleiro. Mas na época em que a acusação surgiu Mentor afirmou por meio de sua assessoria que considerou ''absurda'' a acusação e disse que nunca recebeu R$ 300 mil de doleiro nem de qualquer outra pessoa.


