A denúncia do vereador Amauri Cardoso (PSDB), de que pessoas ligadas ao prefeito Barbosa Neto (PDT) estariam assediando parlamentares e oferecendo pagamento de propina para comprar votos no Legislativo londrinense, acirrou os ânimos na Câmara. Ao deixar a sede do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), o vereador Eloir Valença (PHS), que depôs como testemunha, disse que vai interpelar judicialmente o tucano, por ele ter dado a entender em suas declarações, tanto aos promotores quanto à imprensa, que outros parlamentares estariam recebendo dinheiro para apoiar projetos do Executivo. Amauri não revelou nomes e isso incomdou Valença. ''Até papagaio fala e ele (Amauri) andou falando demais. Então, eu gostaria que ele comprovasse, senão é só papo furado.''
Mesmo negando que tenha se sentido diretamente atingido pelas palavras do colega, Valença disse que vai processar Amauri por calúnia e difamação e até denunciá-lo no conselho de ética da Casa, caso o denunciante não relacione quais seriam os vereadores que estariam envolvidos no suposto esquema de suborno, ''se ele tiver coragem''. Valença negou qualquer relação ilícita com o Executivo londrinense, mesmo tendo demonstrado afinidade com o prefeito Barbosa Neto nos últimos meses, aparecendo em inaugurações e eventos do governo.
O vereador do PHS, partido de oposição, não deixou claro quem teve a iniciativa de iniciar o diálogo, mas confirmou que buscou apoio do prefeito ao trabalho que faz pelos Centros de Educação Infantil (CEIs). ''Precisamos que as CEIs sejam melhoradas'', argumentou.
Sobre a presença da cunhada de Ludovico Bonato - empresário preso por corrupção ativa e declaradamente amigo do prefeito - como assessora no seu gabinete, Valença evocou questões políticas na investigação. Silvana Bonato foi intimada e prestou depoimento ontem pela manhã na sede do Ministério Público (MP). ''Foi intenção política a chamada da minha assessora. Aliás, o Gaeco poderia responder porque chamaram a Silvana e não chamaram as outras (Bonato) que estão na lista telefônica.''
O vereador afirmou que mantém contato com a assessora há muito tempo e confia na capacidade dela. ''Conheço o potencial dela, morava na minha rua, os filhos dela cresceram com os meus filhos e eu a chamei para trabalhar comigo.'' Mais tarde, em entrevista coletiva, o delegado Alan Flore comentou as declarações do vereador e negou intenções políticas na investigação. ''É uma forma de justificar algo que, acredito, seja difícil de ser justificado'', comentou Flore.
Apesar de confirmar ter visto Ludovico na Câmara, Valença negou que mantivesse contatos frequentes com ele. ''Bonato apareceu sim no meu gabinete, mas foi procurar a Silvana que é cunhada e só.''
Silvana saiu às pressas do MP e não concedeu entrevista, mas enquanto se dirigia para o carro, respondeu, laconicamente, algumas perguntas dos jornalistas. Ela negou que o cunhado frequentasse o Legislativo londrinense.
O delegado do Gaeco não descartou intimar outras pessoas para depoimentos até quinta-feira, prazo final para conclusão do inquérito. Amanhã vão prestar esclarecimentos o prefeito Barbosa Neto e os vereadores Rodrigo Gouvêa e Roberto Fortini (PTC), o líder do governo Jairo Tamura (PSB) e Sebastião dos Metalúrgicos (PDT).

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