Suposto líder de organização se recusa a ir ao Gaeco
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quinta-feira, 30 de abril de 2015
Loriane Comeli<br>Reportagem Local 
Preso desde a noite de quarta-feira, o auditor da Receita Estadual de Londrina Márcio de Albuquerque Lima, líder do esquema criminoso de achaque de empresários e sonegação fiscal, segundo acusação do Ministério Público (MP), se recusou, na tarde de ontem, a deixar sua cela na unidade dois da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL 2) para ser conduzido à sede do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) onde seria interrogado. Foragido desde 20 de março, Lima se entregou no final da tarde de quarta-feira diretamente ao 6º Distrito Policial e, sem passar pelo Gaeco, foi conduzido à PEL 2, onde divide cela com outros três denunciados por envolvimento no esquema. Por terem curso superior, estão no setor de presos especiais.
O delegado do Gaeco, Alan Flore, demonstrou-se perplexo com a atitude do preso e da unidade prisional, que, segundo ele, teria obrigação de fazer com que Lima acatasse o pedido do Gaeco. Flore disse que pessoas em liberdade, quando intimadas, podem ser conduzidas coercitivamente. Mas, no caso de investigados presos, a unidade passa a ter o dever de apresentar o detido. "Quando o investigado está preso, a unidade tem o dever de apresentar o preso, o que não foi observado neste caso."
O primeiro caso de recusa foi do auditor Luiz Antonio de Souza (preso desde janeiro por envolvimento também no esquema de exploração sexual de adolescentes), que somente aceitou ser conduzido ao Gaeco no dia seguinte. Em razão do novo impasse, houve uma reunião entre a Vara de Execuções Penais (VEP), a direção da PEL e o Ministério Público. Mas não houve solução. A VEP, segundo o escrivão, informou que tal decisão não é da competência da VEP.
"Esperamos uma decisão não apenas sobre este caso (de Lima), mas com relação a outras ocorrências desta natureza, porque em mais de 10 anos que estou à frente do Gaeco, como delegado de polícia, jamais me deparei como uma situação como essa", declarou Flore. "Juridicamente, entendo que é um absurdo tremendo que algumas pessoas se comportem de uma forma absolutamente diversa daquela que é observada pelos outros presos de um modo geral, até porque a lei existe para todas as pessoas."
O diretor da PEL 2, Emerson Chagas, disse que a unidade prisional "não tem como obrigar o preso" a deixar a cadeia para ser ouvido. "O preso se recusou. O advogado dele estava aqui. Não temos como obrigá-lo, não se pode usar força. Administrativamente, podemos instaurar um procedimento disciplinar, mas não podemos obrigá-lo", justificou. "O Gaeco precisa de uma ordem judicial para retirar coercitivamente os presos que se recusam."
A 3ª Vara Criminal, onde tramita a ação criminal sobre o esquema na Receita, seria a competente para dirimir a dúvida. Assim, Lima somente seria levado ao Gaeco após solucionado o impasse.
FORAGIDA
Embora Lima tenha se apresentado à Justiça, sua esposa Ana Paula Pelizari Marques de Lima, cuja prisão foi decretada na última segunda-feira, segue foragida. Ela é apontada como integrante da organização. O advogado do casal, Douglas Maranhão, não foi localizado ontem.


