O procedimento do Ministério Público (MP) que investiga suposto esquema de assessores-fantasmas na Câmara de Vereadores de Londrina contou ontem com mais dois depoimentos referentes ao vereador afastado Osvaldo Bergamin (PMDB) - um dos quais o da companheira do parlamentar, Élida Pereira da Mota, exonerada na última sexta-feira do cargo de assessora executiva da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Sema). Irmã do ex-assessor de Bergamin Sérgio Pereira da Mota, Élida foi citada em um dos depoimentos como funcionária que ''permanecia pouco tempo'' no órgão da administração direta. Sérgio é marido da também ex-assessora Vanderléia Mota que, em ligação telefônica registrada pela imprensa, demonstrou trabalhar durante o dia como cabeleireira. O outro depoimento foi o do ex-assessor de Bergamin Adílson Siena, que negou tanto repasse de valores ao parlamentar quanto eventual pagamento por serviçlo não prestado.
Élida e seu advogado, João Marcelo Bandeira, não quiseram falar com a imprensa. Bandeira sequer informou o próprio nome. Indagada pela reportagem sobre o que pôde ter contribuído às investigações, a ex-assessora da Sema resumiu, entrando no carro: ''Não tenho nada a declarar, não tenho conhecimento''. Ela fora citada no depoimento prestado no último dia 14 ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) pela ex-assessora de Bergamin, Gisela Stringheta, que atuou no gabinete entre janeiro de 2005 e agosto ou setembro de 2007. No depoimento, Gisela negou que duas ex-assessoras (que já depuseram) trabalhassem no gabinete do parlamentar, afirmou que Élida ligaria para o local para saber se já havia saído o pagamento dos assessores, em determinado período de 2007, e comentou que a companheira do ex-patrão pouco permanecia na Secretaria.
Formalmente, ao Gaeco, Élida se negou a disponibilizar aos promotores a quebra de seu sigilo bancário e tampouco detalhou as razões da exoneração na Sema e declarou ter trabalhado, lá desde março de 2002, das 12 às 18 horas.
Já Siena, que depôs nunca ter repassado sequer parte do salário mensal de R$ 1.153 mensais, garantiu que atuava como assessor parlamentar atendendo ''reivindicações da comunidade''. Ele estava com Bergamin desde 2004. Perguntado se também angariava votos para o vereador, respondeu: ''Acho que não''. Ele disse ainda que tem um bar no Jardim Alto da Boa Vista I, no qual trabalharia após as 18 horas.
O promotor Cláudio Esteves acredita que a investigação ''está avançando para para tentar esclarecer se existe ou não eventual ilícito penal''. ''Há possibilidade de mais pessoas serem ouvidas, o que será analisado com a documentação que já temos recolhida da própria Câmara'', concluiu.
Sobre Élida, uma fonte da FOLHA ligada à Sema garantiu, sob a garantia de anonimato: ''Essa mulher durante anos aparecia de vez em quando para trabalhar - nos últimos meses é que começou a ir um pouco mais''. A fonte garante que, convocada a depor, comparece ao MP.

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