Brasília - O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) defendeu ontem, na tribuna do Senado, que a seleção brasileira de futebol realize um jogo amistoso no Iraque ''para levar a mensagem brasileira de paz para aquele país''. Ele chegou a encenar uma jogada de Ronaldinho que, segundo ele, pelo brilhantismo, já era um manifesto a favor da paz.
O discurso de Suplicy causou polêmica no Senado - esvaziado pelo recesso branco. O senador Heráclito Fortes (PFL-PI) pediu que o petista repetisse a imitação da jogada e causou risos ao elogiar os seus dotes futebolísticos.
O senador Maguito Vilela (PMDB-GO) se disse preocupado com a proposta de Suplicy, já que ela coloca os jogadores brasileiros sob forte ''risco de vida''.
Suplicy afirmou que os jogadores estão dispostos a enfrentar os riscos de um eventual jogo no Iraque, uma vez que se colocaram à disposição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para novas missões de paz.
O senador petista relatou a viagem feita ao Haiti anteontem, onde acompanhou a vitória do Brasil contra a seleção local por seis a zero e disse que o Brasil tem vocação de pacificador mundial e que deve levar sua mensagem, ''por meio do futebol, a todos os países que precisem''. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também viajou ao país para assistir ao jogo. Atendendo pedido de Lula, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) levou os principais jogadores da seleção ao Haiti, como Ronaldo e Roberto Carlos, do Real Madri, e Ronaldinho Gaúcho, do Barcelona, entre outros.
O Haiti está em crise desde o início do ano, quando rebeldes avançaram contra Porto Príncipe, exigindo a renúncia do presidente Jean-Bertrand Aristide - que diz ter sido forçado a deixar o cargo por EUA e França. Para controlar a crise, uma força de paz da ONU foi enviada ao país sob liderança dos EUA. Dois meses atrás, o comando foi repassado ao Brasil, que mantém cerca de 1.200 homens naquele país. Chamado de ''jogo da paz'', o amistoso faz parte do esforço do governo federal para ajudar a força de paz.

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