Agência Estado
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Álvares: ‘‘Não posso aceitar um tratamento de tamanho desrespeito’’O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) requereu ontem a convocação dos ministros de Assuntos Políticos, Luiz Carlos Santos, e da Saúde, Carlos Albuquerque, para responder às denúncias do senador Roberto Requião (PMDB-PR), de envolvimento em esquema de liberação de verbas em troca de apoio político dentro do Congresso. O requerimento terá ainda de ser votado pelo plenário do Senado.
O requerimento de Suplicy deu ânimo aos 34 senadores que compareceram à sessão de ontem. Ao contrário do que costuma ocorrer nas sextas-feiras, a sessão foi agitada. Logo depois de Suplicy requerer a presença dos dois ministros ao Senado, o líder do governo, Élcio Álvares (PFL-ES), pediu um aparte para exigir explicações do senador Roberto Requião. Na quinta-feira, ao terminar o discurso em que acusou o governo de corrupção, Requião gabou-se de não ter sido aparteado por ninguém: ‘‘Nenhum canalha apareceu para fazer a defesa do governo’’, afirmou.
Álvares disse que o linguajar de Requião era injusto para com os colegas, porque no Senado todos se tratam com muita cordialidade. ‘‘Eu convivo com todos aqui, procuro respeitar as pessoas e as opiniões e não posso aceitar um tratamento de tamanho desrespeito’’, afirmou o líder do governo. Élcio Álvares reclamou também por Requião ter dito que o presidente Fernando Henrique Cardoso comanda o esquema de corrupção, diretamente do Palácio do Planalto. Requião às vezes sorria, mas passou a maior parte do tempo quieto.
Quando Álvares terminou, o senador paranaense pediu a palavra para dizer que nunca tinha visto nem ouvido falar do envolvimento do líder do governo no Senado em propostas como as que tinha levado ao plenário. Na quinta-feira, ele levou ao Senado uma fita gravada pelo deputado Maurício Requião (PMDB-PR), seu irmão, na qual o chefe de gabinete interino do Ministério da Justiça, Marcelo Azalin, dizia que não poderia liberar a verba das emendas orçamentárias dos irmãos Requião porque eles tinham problema político no Palácio do Planalto. Na gravação Azalin aconselhou Maurício a procurar o ministro de Assuntos Políticos, Luiz Carlos Santos.
Requião isentou Élcio Álvares de participação nas negociações de verbas das emendas em troca de votos. Mas continuou atacando o presidente Fernando Henrique. ‘‘Ninguém pode dizer que o presidente não sabe disto’’, afirmou ele. ‘‘É a violência do suborno, porque quem manda no Palácio do Planalto é o presidente da República’’. Segundo o senador, a denúncia só foi feita após vários prefeitos terem o procurado para sugerir que fosse ao ministro Santos. Ao contrário de procurar o ministro, Requião disse que aconselhou os prefeitos a sugerirem, em seu nome, uma série de desaforos ao coordenador político.
O senador disse que o governo quer acabar com o PMDB, com o auxílio do próprio partido e do líder na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA). ‘‘Todos sabem que os deputados que fazem oposição ao líder Geddel estão sofrendo a discriminação’’, continuou ele. ‘‘Houve uma reclamação formal e Geddel disse que vai tomar providências’’. Requião arrematou: ‘‘Se o líder promete tomar providências para acabar com a discriminação, é porque a discriminação existe.’’
Roberto Requião classificou de ‘‘absurda’’ a demissão de Marcelo Azalin, chefe de gabinete interino do Ministério da Saúde. Requião recordou que Azalin consultou seus superiores a respeito da liberação de verbas solicitada pelo deputado Maurício Requião (PMDB-PR), irmão do senador, e foi ‘‘muito educado’’ com o deputado.

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