Os 14 senadores do bloco de oposição reagiram rapidamente ontem às denúncias contidas nas fitas da ‘‘Folha’’, e assinaram o requerimento do senador Eduardo Suplicy (PT-SP) para criar uma CPI destinada a investigar a denúncia sobre a participação de autoridades no leilão da Telebrás ‘‘para favorecer determinados concorrentes’’. Até o final da tarde de ontem, Suplicy havia conseguido 18 assinaturas, sendo quatro delas dos senadores governistas Roberto Requião (PR), Pedro Simon (RS), Amir Lando (RO) e Maguito Vilela (GO), todos do PMDB. É necessário o apoio, no mínimo, de 27 senadores para criar uma comissão de investigação. Suplicy vai continuar sua coleta hoje.
As oposições propõem a criação de uma CPI mista, com a participação de 11 deputados e 11 senadores. Mas, mesmo que a oposição consiga recolher o mínimo de assinaturas necessárias para pedir a abertura de uma CPI mista, a sua instalação dependerá da vontade política dos presidentes da Câmara e do Senado e do impacto e profundidade que a repercussão da reportagem da ‘‘Folha’’ poderá ter junto ao Congresso.
Os líderes de PT, PSB, PDT e PC do B entrariam ainda ontem com uma representação junto à presidência da Câmara dos Deputados, pedindo a abertura de processo contra o presidente Fernando Henrique Cardoso por crime de responsabilidade fiscal.
Segundo o líder do PT na Câmara, José Genoino (PT-SP), será aberta uma comissão especial para investigar o conteúdo das fitas. ‘‘Na prática, isso significa a abertura de um processo de impeachment’’, disse Genoino, que reuniu-se em seu gabinete com líderes da oposição.
O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) acrescentou que a oposição também pedirá a abertura de uma CPI mista para investigar a venda das empresas de telefonia. Suplicy considerou extremamente grave o conteúdo das fitas: ‘‘Foi um fato novo, que mostra com clareza o envolvimento do presidente Fernando Henrique em ações que caracterizam a utilização do Poder Executivo para beneficiar determinado grupo no processo de privatização. Isso constitui uma ofensa à probidade administrativa e fere a Lei de Licitações. A atitude viola o princípio de imparcialidade, legalidade e lealdade.
A criação de uma CPI mista é mais fácil, porque pode ser instalada independentemente do número de comissões já criadas na Câmara e no Senado. Uma CPI só da Câmara depende da aprovação de um projeto de resolução em plenário, o que não é necessário para uma CPI mista.

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