Suplicy insiste em chamar Malan e pode abrir crise
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quinta-feira, 22 de abril de 1999
Agência Estado 
A convocação do ministro da Fazenda, Pedro Malan, para esclarecer a demissão do ex-presidente do Banco Central Francisco Lopes e as suspeitas sobre a atuação do BC no sistema financeiro será requerida na CPI dos Bancos na próxima semana. O senador Eduardo Suplicy (PT-SP), integrante da CPI, vai aguardar apenas o depoimento de Lopes e do ex-diretor de Fiscalização do BC Cláudio Mauch, para fazer o requerimento formal à comissão.
Suplicy acredita que, depois de ouvir Lopes e Mauch, a oposição terá elementos muito fortes para derrubar a manobra governista de impedir a convocação de Malan. A presença ou não do ministro da Fazenda na CPI dos Bancos deverá provocar um racha entre seus integrantes. Apesar da ofensiva do governo para desviar de Malan o foco da CPI, senadores governistas admitem que terão dificuldades de votar contra essa convocação, se os depoimentos de Lopes e Mauch apresentarem dados que envolvam esclarecimentos do ministro.
O petista revelou ontem na tribuna que propôs a convocação de Malan numa reunião com o presidente da CPI, Bello Parga (PFL-MA), o relator João Alberto (PMDB-MA), o senador Jáder Barbalho (PMDB-PA), além de outros senadores. Segundo Suplicy, o relator concordou com a convocação.
A ala governista no Senado adotou um discurso único para impedir ou pelo menos adiar a convocação de Pedro Malan. Não há motivo para chamar Malan, repetia ontem o líder do PSDB no Senado, Sérgio Machado (CE). Chamar Malan é querer criar uma histeria no mercado e fazer da CPI um palanque eleitoral, emendou o vice-presidente da CPI, senador José Roberto Arruda (PSDB-DF).
Depois de conversar pelo telefone com o ministro Malan, Arruda foi à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado para buscar cópias da audiência pública do dia 24 de março, em que Malan teria explicado as razões da demissão de Francisco Lopes. Naquela reunião, Suplicy questionou Malan pela frase dita anteriormente por ele, de que só falaria da saída de Lopes dez anos depois da própria morte.


