São Paulo - O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) afirmou ter mais condições de vencer a governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PFL), num eventual segundo turno, do que teria o presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, com quem deverá disputar no dia 3 de março as prévias do partido para a indicação do candidato à Presidência da República. ‘‘Havendo um segundo turno, Roseana vai passar um cortado muito mais difícil disputando comigo do que se o candidato à Presidência for o Lula’’, disse.
O senador também afirmou que pode vencer mais facilmente resistências de setores como o empresariado do que seu adversário nas prévias do PT e avaliou que teria uma taxa de rejeição menor do que a de Lula. Suplicy fez essas afirmações durante o programa ‘‘Tribuna Independente’’, transmitido terça-feira pela Rede Vida. ‘‘Em alguns aspectos, Lula tenta atingir os mesmo objetivos que nós, mas de uma maneira que causa resistências muito grandes’’, ressaltou, referindo-se, entre outros pontos, ao diálogo com os setores empresariais. ‘‘Eu tenho uma facilidade para conversar com os empresários que nem sempre observei no Lula’’, disse.
O senador teceu duras críticas à governadora do Maranhão, ressaltando que ela terá que discutir, por exemplo, o que considerou fracassos do governo Fernando Henrique Cardoso, em casos como a reforma agrária, a mudança da CLT e a reforma previdenciária. Suplicy ressaltou que a atuação da governadora foi criticada inclusive pelo ministro do Desenvolvimento Agrário, Raul Jungmann, que se lançou pré-candidato à presidência pelo PMDB. ‘‘Roseana e o PFL são responsáveis pela estrutura fundiária, o atraso social, a desigualdade e a pobreza no Maranhão’’, completou.
Ao elogiar o ministro da Saúde, José Serra, que se lançará hoje como pré-candidato à Presidência pelo PSDB, Suplicy ressaltando que ele ‘‘não será moleza’’ nesta eleição. ‘‘Até já votei no Serra. Para presidente da UNE, em 1963’’, afirmou. Mas lembrou que algumas das realizações mais elogiadas de Serra como ministro da Saúde são propostas que foram lançadas pelo PT, como o médico de família e o incentivo à produção de genéricos.
Suplicy voltou a defender a realização de debates com Lula antes das prévias, hipótese que vem sendo rechaçada pela cúpula do PT e pelo próprio presidente de honra do partido, que lidera as pesquisas de intenção de voto à Presidência, ficando ao redor de 30% das preferências do eleitorado. Segundo ele, essa também pode ser uma forma de convencer Lula a adotar propostas como a da renda mínima, formulada pelo senador, que estabelece uma remuneração em dinheiro para todos os brasileiros. Suplicy acrescentou que, após 3 de março, ele e Lula, seja qual for o resultado das prévias, deverão trabalhar juntos pela candidatura petista.

mockup