O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) apresenta terça-feira um requerimento convocando o ministro da Fazenda, Pedro Malan, para depor na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Sistema Financeiro. É mais uma tentativa da oposição de ouvir o ministro para esclarecer se ele sabia ou não do socorro aos Bancos Marka e FonteCindam, às vésperas da mudança na política cambial. O senador vai basear o pedido em reportagem publicada pela revista ‘‘Istoɒ’ neste fim de semana, revelando que o ministro poderia ter evitado a ajuda de R$ 1,4 bi aos dois bancos.
Ontem, o presidente interino da CPI, senador José Roberto Arruda (PSDB-DF), reagiu, minimizando as informações divulgadas pela revista. Segundo ele, os fatos relatados são ‘‘suposições’’ e exigem comprovação. ‘‘O ministro, contudo, está aberto a atender uma convocação, que acontecerá caso necessário’’, disse Arruda.
Nesta semana, os governistas terão de fazer novo esforço para frear a convocação do ministro, assunto que volta e meia é discutido na comissão. O presidente Fernando Henrique Cardoso orientou os operadores políticos a evitar que as investigações da comissão contaminem o primeiro escalão da equipe econômica.
O envolvimento de Malan no socorro aos Bancos Marka e FonteCindam, contudo, faz parte do inquérito da Polícia Federal (PF). Um dos funcionários do Banco Central (BC) que depôs anteontem à PF teria comprometido o ministro da Fazenda, afirmando que ele estava informado sobre a operação do BC. Desde o início das investigações, Malan vem mantendo silêncio sobre a atuação do BC e comentou com senadores que só explicaria a demissão do ex-presidente do BC Francisco Lopes ‘‘dez anos’’ após a própria morte.
O ex-presidente do BC e toda a diretoria da autoridade monetária também serão indiciados pela PF, com base em suspeita de fraude relacionada à carta enviada pela Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) ao BC, sugerindo intervenção no mercado futuro de câmbio, sob alegação de suposto risco sistêmico no mercado financeiro.
Por ser ministro de Estado, Malan só pode ser inquirido pelo STF. A tramitação, porém, deve demorar pelo menos uma semana. O pedido da PF deve ser feito primeiro ao Ministério da Justiça, que deverá solicitar o foro privilegiado ao tribunal.

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