Se for confirmada a licença de Jader Barbalho, o primeiro primeiro suplente, que é seu pai Laércio Barbalho, não irá assumir. Aposentado, de 83 anos, Laércio avisou que vai deixar a vaga para o segundo suplente, Fernando de Castro Ribeiro, ex-secretário particular nos dois governos de Jader, também suspeito de envolvimento com desvios do Banco do Estado do Pará (Banpará), entre 1983 e 1987. Ribeiro pode ter seu sigilo bancário, fiscal e telefônico quebrado ainda esta semana, pela Justiça do Pará.
Laércio ficou por três dias internado no Hospital do Coração de Belém. Com marcapasso há 10 anos, o pai do presidente do Senado teve problemas de pressão alta, mas garantiu que isso não foi causado pela situação do filho. ‘‘Tenho isso desde a adolescência, aparece uma vez ou outra e não foi por causa do estado emocional’’, afirma Laércio, contando que começou a sentir mal no domingo, quando almoçava numa cidade do interior.
Deputado estadual por três vezes, Laércio afirma que vai recusar a vaga que o filho poderá deixar. ‘‘Já dei minha cota como político há muitos anos. Não me interessa, vou deixar a vaga para o segundo suplente’’, afirmou Laércio, admitindo que seu filho está numa situação dificil. ‘‘Não sou advinho, mas estão cercando ele ao máximo. A imprensa fala, e o povo gosta das fofocas.’’
Se Jader se licenciar, sua vaga continuará praticamente em família, já que seu segundo suplente é também considerado um amigo íntimo do senador e de sua ex-mulher, a deputada federal Elcione Barbalho (PMDB-PA). Por causa da proximidade com Jader, Fernando Ribeiro poderá ter seu sigilo quebrado até mesmo antes de chegar ao Senado e ganhar imunidade.
Uma ação popular impetrada pelo advogado Paulo Lamarão, na 14ª Vara da Fazenda Estadual de Belém, pede que Ribeiro e outras 16 pessoas tenham sua vida fiscal e bancária devastada pela autoridades. No mesmo pedido, Lamarão inclui Jader Barbalho e Elcione, três irmãos do senador – Laércio Junior, Luis Guilherme e Joércio – além de Laércio.
Ribeiro também é suspeito de ter recebido mais de R$ 400 mil do dinheiro do fundo de aplicação existente no Rio de Janeiro, que recebia cheques administrativos do Banpará. Pelas mãos de Jader, Ribeiro exerceu um único mandato legislativo. Foi na década de 90, quando elegeu-se deputado estadual sem grande atuação, mas serviu para garantir maioria ao então governador, na Assembléia Legislativa. Foi também uma pessoa de grande influência dentro do Banpará.
Mas a história mais marcante envolvendo o suplente de Jader é a transação feita com o próprio senador. Ribeiro vendeu um avião bimotor, no valor de mais de R$ 500 mil, mas o revendeu ao presidente do Senado a R$ 20 mil.

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