Suplentes mostram receio em gastar com assessores
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sexta-feira, 14 de março de 2008
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Os quatro suplentes que devem ser convocados pela Câmara de Vereadores de Londrina a assumir as vagas dos parlamentares afastados Orlando Bonilha (PR), Renato Araújo (PP), Osvaldo Bergamin (PMDB) e Flávio Vedoato (PSC) adotaram ontem um discurso de cautela em relação à contratação de assessores - cada um tem direito a cinco, no máximo, com verba de gabinete de R$ 4,3 mil.
Os afastados cumprem decisão liminar expedida no último dia 7 pelo juiz da 4 Vara Cível, Jamil Riechi Filho. O magistrado atendeu o pedido formulado na ação civil pública da Promotoria de Defesa do Patrimônio Público, que os acusa de improbidade administrativa uma vez que os mesmos já foram denunciados pelos promotores, este ano, pelos crimes de concussão e formação de quadrilha. Até ontem à noite, os agravos de instrumento ingressados pelas defesas não haviam sido julgados pelo Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR).
À exceção de Vera Rubbo (PSB), suplente de Bonilha e única a garantir que não contratará assessores, os demais devem definir só após a posse a dinâmica de contratação dos novos funcionários. Nenhum deles, entretanto, afirmou que fará uso total da verba de gabinete - paralelamente, nos bastidores é grande o lobby do suposto gasto adicional de R$ 70 mil mensais (estimativa feita pela Presidência) que suplentes e assessores trariam aos cofres do município, uma vez que os afastados não tiveram seus salários prejudicados pela liminar.
''Nesse momento não pretendo contratar, mesmo porque não há a perspectiva de que essa situação da posse será definitiva; a liminar pode ser derrubada'', alegou Vera, que é do Movimento de Esposas de Policiais Militares e foi assessora na Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU). ''Creio que os assessores já existentes (de Bonilha) poderão contribuir, pois não há tempo para começar tudo do zero com gente nova'', concluiu.
Suplente de Vedoato e atual diretor da Câmara, Rubens Canizares (PHS) afirmou que tem ''a disposição de assumir a vaga'' (ele foi vereador de 2001 a 2004), mas preferiu esperar uma conversa com o presidente da Casa, Sidney de Souza (PTB). Se vai usar a verba de gabinete? ''Não teria problema algum em utilizar os assessores do Flávio, que os conheço e são experientes, mas ainda vou analisar a necessidade e a possibilidade de poder contratar'', declarou.
Para o suplente de Bergamin e ex-vereador (de 2001 a 2004) João Dib Abussafi (PPS), o aproveitamento dos comissionados do colega dependerá de posicionamento a ser tirado em reunião da Executiva municipal, hoje de manhã. ''Preciso de dois assessores, no máximo - usar ou não os que estão aí, porém, depende de muito estudo'', insinuou, admitindo que a afirmativa, apesar de lacônica, se refere ao fato de um assessor de Bergamin ser investigado em inquérito junto com o vereador afastado e outros membros da Câmara.
Já o suplente de Araújo, o empresário do ramo de saúde Fernando Nicolau (PP), resumiu: ''Ainda não defini nada sobre os assessores e só o farei a partir da conovação''. Sobre o alarde em torno dos gastos, Nicolau rebateu: ''Isso é pura especulação para desviar o foco do debate, sem falar que é uma estimativa. E se for verdade (R$ 70 mil/mês), é irrisório para a cidade porque o trabalho e o fôlego serão outros''.
A convocação aos suplentes deve ser feita no máximo até quarta-feira. A partir dela, eles têm prazo máximo de 15 dias para assumir.


