Até o início da sessão de ontem suplentes, os agora vereadores Vera Rubbo (PSB), Fernando Nicolau (PP) e João Dib Abussafi (PPS) tomaram posse com o discurso afinado em torno da recuperação de uma imagem desgastada da Câmara perante a população. Empossado respectivamente no lugar de Orlando Bonilha (PR), Renato Araújo (PP) e Osvaldo Bergamin (PMDB) - afastados pelo juízo de primeira instância e assim mantidos, esta semana, pelo Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) -, o trio não vislumbra por ora, contudo, apresentar matérias de própria autoria ou sequer barrar projetos de lei que tratem de mudanças de zoneamento ou doações de áreas públicas a particulares, iniciativas que renderam a maior parte das investigações do Ministério Público (MP) contra os afastados. Também fora das funções legislativas imposta por liminar, Flávio Vedoato (PSC) será substituído pelo suplente e atual diretor da Casa Rubens Canizares (PHS) na semana que vem, já que este alegou problemas de saúde em família para não ser diplomado ontem.
Empresário do setor de saúde, Nicolau leu o discurso de posse evocando um de seus padrinhos políticos, o deputado estadual e ex-prefeito Antonio Belinati (PP), cassado em 2000 na Câmara ante denúncia de corrupção - e justamente pelo voto decisivo de Bonilha - e réu em dezenas de ações do chamado escândalo Ama-Comurb. Questionado em seguida sobre que práticas do padrinho o teriam inspirado, Nicolau, que é também sobrinho do advogado de Belinati, o criminalista Antonio Carlos Andrade Viana, respondeu: ''Aprendi a respeitar o povo de de Londrina''. Sobre as matérias que tratem de mudança de zoneamento e doações de áreas, o pepista definiu: ''Elas precisam ser muito bem estudadas. Se forem para o bem da cidade, aprovo; caso contrário, rejeito''. Ele disse não acreditar em condições de os afastados retomarem suas vagas.
Membro do movimento das esposas de policiais militares, Vera Rubbo também se mostrou incrédula ante a chance de os titulares voltaram ao Plenário - declaração, aliás, dada antes da renúncia de Bonilha, que ela substitui pela coligação de 2004. Se no caso dela a pressão é maior, já que entra no lugar da peça-chave do escândalo? ''Sim, porque a cobrança tem que acontecer sempre. Mas o cidadão tem a obrigação de acompanhar e de intervir no que acontece aqui, de se inteirar nos projetos em votação''. A respeito dos projetos de natureza como os investigados, Vera adiantou: ''Vou levar em conta os pareceres técnicos da Casa. Se houver pareceres contrários, o estudo tem que ser muito mais aprofundado - cada um terá que ser visto da sua forma''. Ela prefere se ''inteirar primeiro de tudo que está acontecendo'' antes de propor quaisquer matérias.
Já o empresário do setor de loteamento e ex-vereador Abussafi, definido ontem vice-presidente da Comissão de Desenvolvimento Urbano da Câmara, afirmou não ver incompatibilidade entre as atividades profissional e legislativa. ''Aumenta a minha responsabilidade por ser do ramo de loteamento? Sem dúvida, mas somos superfavoráveis ao desenvolviento urbano, desde que com estudos técnicos que balisem toda avaliação'', comentou. Abussafi aludiu a necessidade de ''resgatar a credibilidade da classe política''. O que ele fará para tal? ''Vou ver o que dá para fazer'', concluiu.

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