Curitiba - A quase uma semana do fim das sessões plenárias na Câmara de Curitiba, a Casa vai receber hoje um novo vereador: Afonso Celso Koehler de Camargo (PP). O pepista entra no lugar de Mestre Déa (sem legenda), que no início da semana passada foi cassado por infidelidade partidária pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Paraná. A posse está marcada para hoje, às 9 horas, mas Camargo não deve chegar a participar nem de um mês de votações. Pelo Regimento Interno, as sessões plenárias devem seguir até a próxima segunda-feira.
A assessoria de imprensa da Casa informou que os trabalhos até podem ser prorrogados, mas que em janeiro já está prevista a posse dos vereadores eleitos em outubro último para a nova legislatura. Ontem, a Reportagem não conseguiu contato com o novato. Na Casa, Mestre Déa é o segundo vereador cassado por infidelidade partidária. Em agosto, Élcio Pereira (PPS) entrou no lugar de Tico Kusma, que trocou o PPS pelo PSB. Com a última mudança, a bancada do PP passa a ter quatro vereadores: além de Camargo, Aldemir Manfron, Elias Vidal e Angelo Batista.
O mandato de Mestre Déa foi cassado pelo TRE porque ele trocou o PP pelo PRTB depois que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) entendeu que o mandato pertence ao partido e não ao político. Em entrevista à Reportagem, Mestre Déa contou que entrou em conflito com a cúpula do PP da capital. ''Eu sofria discriminação, por conta do meu trabalho com capoeira, com trabalho social. Eles não me davam uma gota d'água'', disse ele.
Sua passagem pelo PRTB, entretanto, também rendeu conflitos com a direção da sigla. No último pleito, Mestre Déa e o vereador Manassés Oliveira (sem legenda) lideraram um grupo de filiados do PRTB que eram contra a coligação entre a sigla e o PTB na disputa pela Prefeitura de Curitiba. Os ''rebeldes'' chegaram a se desfiliar do PRTB e a desistir da disputa por uma cadeira no Legislativo municipal. A aliança, segundo Mestre Déa, não poderia ter sido estabelecida porque o PTB lançava candidato de oposição ao prefeito reeleito Beto Richa (PSDB). ''Sempre fomos da base. Quem estava sendo infiel eram eles (a direção). Acham que a gente é mercadoria.''
Mestre Déa não pretende recorrer contra a decisão do TRE. ''Me cassarem agora parece brincadeira. Mas eu já fiz o que eu tinha que fazer como vereador'', explicou ele. Ele disse que não pretende sair da política agora, apesar de não ter concorrido à reeleição. A intenção é tentar se filiar ao PSDB e concorrer a uma vaga de deputado estadual na disputa em 2010.

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