Suplente tem regalias no Senado
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sábado, 12 de outubro de 2002
Agência Estado 
Brasília O eleitor que escolheu dois senadores no último domingo favoreceu quatro outras pessoas que ele não conhece. Quem acreditar que o fator multiplicador se deve ao poder do voto, engana-se. Trata-se, na verdade, de uma das aberrações da política brasileira e atende pelo nome de suplente. Além de não precisar de votos para propor e aprovar as leis do País, o suplente de senador não precisa também atender a nenhum dos requisitos exigidos do titular. Nesta eleição, a regra não fugiu à tradição e muitos dos suplentes são parentes ou financiadores de campanha dos titulares.
E, também pelo costume da Casa, alguns desses suplentes assumirão em algum momento por um período, pequeno que seja, a cadeira titular, mesmo que o titular não esteja exatamente impedido de exercer a função. Trata-se de uma cortesia comum ao suplente, principalmente quando ele é parente ou financiador de campanha, que tem os mesmos direitos, desde o salário de R$ 8 mil e todas as regalias, como o de nomear dez pessoas no gabinete, inclusive familiares.
Da nova safra de 54 senadores que tomarão posse em fevereiro, pelo menos cinco escolheram parentes como suplentes. O ex-governador do Piauí Francisco de Moraes Souza (PMDB), conhecido por Mão Santa, traz agregada como primeira-suplente, a mulher, Adagilsa. Ele defende a escolha dizendo que não poderia se separar ''da mulher amante, da mulher secretária''. O ex-presidente do Senado Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) manteve na suplência o filho Antonio Carlos Júnior.
Nos últimos anos, todas as tentativas de mudar o sistema de suplência no Senado foram derrubadas ainda na fase inicial de discussão, nas comissões. Foi o que ocorreu com a proposta do senador Eduardo Suplicy (PT-SP), que dava ao eleitor a chance de eleger também os suplentes. Toda vez que o assunto é levado à tribuna por algum senador, a polêmica é enorme. Mas não passa do debate.


