Curitiba - Em um país onde fidelidade partidária não é levada a sério, o PTB quer forçar o suplente de José Carlos Martinez na Câmara Federal, Airton Roveda, a retornar ao partido antes de assumir a cadeira vaga. Roveda deixou o PTB e filiou-se ao PMDB há cerca de três semanas. A intenção de Roveda é disputar a Prefeitura de União da Vitória, sua base eleitoral, e por isso mudou para a sigla do governador Roberto Requião.
O presidente do PTB no Paraná, deputado federal Iris Simões, disse que o retorno de Roveda é ''uma vontade dos companheiros do partido''. ''Ele é suplente pelo PTB, seria uma questão de ética'', afirmou Simões, reclamando que a legislação eleitoral brasileira é ''arcaica''. De acordo com a jurisprudência da Justiça Eleitoral, o suplente pode mudar de partido e assumir como titular posteriormente, em outra legenda. Procurado pela Folha, Airton Roveda disse ontem, por telefone, que está ''em estado de choque'' com a morte de Martinez, e que agora não é o momento para discutir troca de partido. Ele disse que avisou Martinez que mudaria de sigla, explicando que, para seus planos de concorrer à prefeitura, o PMDB é mais interessante. Segundo ele, Martinez teria concordado.
Airton Roveda já foi deputado federal. Elegeu-se pelo PDT em 1998 com 34.798 votos e era apadrinhado político de Aníbal Khury (PFL). Não reelegeu-se na eleição passada. Ficou como primeiro suplente, pelo PTB, com 59.510 votos. Fora do terreno político, o novo deputado federal do Paraná é odiado pelos ambientalistas, acusado de fomentar a exploração irregular de areais.
Roveda enfrenta atualmente uma discussão com a Fundação Estadual de Cidadania (FEC) uma ONG de defesa do meio ambiente , que iniciou uma ofensiva contra as empresas de extração de areia de Curitiba e região metropolitana. A entidade acusa as mineradoras de explorarem áreas próximas a rios, acabando com a mata ciliar e assoreando os leitos. De acordo com a FEC, parte dessas empresas não teria licença ambiental para funcionar. Roveda, que é presidente da Associação dos Mineradores de Areia e Saibro do Paraná (Amas), nega que as empresas estejam desrespeitando a reserva legal de mata ciliar.

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