Suplente denunciado vai assumir na AL
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quinta-feira, 30 de novembro de 2000
Emerson Cervi De Curitiba 
A nomeação do deputado estadual Nelson Justus (PTB) para a Secretaria de Estado dos Transportes, em dezembro, vai provocar mudanças nas bancadas do PFL na Assembléia Legislativa e na Câmara de Vereadores de Curitiba. O vereador reeleito Aparecido Custódio da Silva (PFL) é o primeiro suplente da bancada e sua assessoria informou que ele assumirá a vaga. Custódio responde a denúncias do Ministério Público (MP) por crime de apropriação indébita e passa a ser beneficiado pela imunidade parlamentar com a nomeação de Justus.
A dança das cadeiras também beneficia o atual líder de Cassio Taniguchi (PFL), Mário Celso Cunha (PFL). O vereador não se reelegeu em outubro e com o deslocamento de Custódio a sua cadeira na Câmara estaria garantida.
A Folha apurou que, há algumas semanas, Custódio não pretendia renunciar à vaga na Câmara para assumir como suplente na Assembléia, por considerar a decisão arriscada. Para ser empossado como deputado, o vereador terá de renunciar à sua vaga. Num recuo de Justus, Custódio poderia ficar facilmente sem mandato. Porém, o comportamento de Justus, que já confirma a transferência para os Transportes, garantiu um certo grau de tranquilidade ao vereador que está confirmando aos mais chegados a sua transferência.
Custódio está sendo acusado pela Promotoria de Proteção ao Patrimônio Público por apropriação indébita e malversação de recursos públicos. No início do ano, o vereador foi denunciado por ex-assessores de ficar com parte dos salários pagos pela Câmara aos funcionários de gabinete.
Além disso, os promotores responsáveis pelo caso constataram a utilização da estrutura da Câmara, como veículos, em atividades particulares de Custódio. Assim que for nomeado para a Assembléia, Custódio ganha imunidade. As investigações só teriam continuidade se os deputados estaduais suspendessem a imunidade dele, o que não é comum.
Para se tornar deputado titular em 2001, Custódio conta com a remota possibilidade da eleição do deputado Basílio Zanusso (PFL) como conselheiro do Tribunal de Contas (TC) do Paraná. Em 2001 haverá a indicação do novo conselheiro, no lugar de João Féder. A eleição está suspensa por recurso judicial sobre a indicação. Assembléia, governo e procuradores do TC disputam o direito de indicar o próximo conselheiro.
Numa hipótese de Zanusso virar conselheiro, o deputado teria que renunciar à vaga de parlamentar e Custódio seria transformado automaticamente em deputado titular. Nesse caso, Reny Borsatto (PFL), quarto suplente, ocuparia a cadeira deixada por Justus.
O vereador disse ontem à Folha que a sua posse como deputado depende de uma conversa com o PFL. A decisão final vai depender das conversas que pretendo ter em breve com o meu partido e com o prefeito Cassio Taniguchi, explicou.
Custódio afirmou que se assumir a vaga na Assembléia Legislativa, abre mão de sua imunidade parlamentar para que o caso seja investigado até o fim. Ele disse que confia na Justiça e está tranquilo. O vereador criticou a imprensa que, segundo ele, só mostrou as denúncias e deixou de lado a minha versão.
Ontem, Custódio prestou depoimento ontem na 6ª Vara Criminal, em Curitiba, nas duas ações em que é acusado de peculato. E alegou inocência. Não roubei nada de ninguém, afirmou. O vereador elogiou o trabalho do MP, que o denunciou. Fizeram o que era certo. Mandaram investigar. Agora é minha chance de mostrar que não fiz nada de errado e rebater todas as acusações falsas e mentirosas a meu respeito, disse. (Colaborou Maria Duarte)


