''Se a carapuça serviu para alguém, que a vista. Eu estou aprendendo ainda, não tenho nada a perder.'' A declaração foi dada pelo advogado Zaqueu Berbel (PRP), 62, que tomou posse ontem na Câmara de Vereadores de Londrina no lugar do afastado - e preso há 17 dias - Rodrigo Gouvêa, diante da celeuma causada em plenário pelo discurso polêmico de críticas à atuação do Legislativo. Primeiro suplente pela coligação PRP/PSL/PSDC em outubro de 2008, com 1717 votos, Berbel foi funcionário do INSS até 1979, mesmo ano em que se formou em Direito pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). Também atuou como contador e professor no Ensino Fundamental do Estado.
Berbel não poupou críticas ao colega de partido - ainda que a Executiva estadual do PRP já tenha expulsado Gouvêa por suposta infidelidade partidária, a Executiva nacional analisa apelação dele. ''Afastado por má conduta'', citou, mencionando indiretamente liminar da 7 Vara Cível contra o vereador, do último dia 16, o recém-empossado disse que ''foram concedidas inúmeras oportunidades de (Gouvêa) provar a sua inocência'', mas, avaliou, ''nada fez'' nesse sentido. Adiante, citou que o Ministério Público (MP) instaurou inquérito contra o vereador - para quem perdeu por apenas 16 votos - ''abrindo a oportunidade para que Rodrigo Gouvêa provasse a sua inocência''. O afastado, contudo, na opinião de Berbel, ''nada fez. Pelo contrário, desdenhou do MP culminando (sic) na sua prisão. Não fosse o zeloso MP, mais uma denúncia teria sido esquecida''.
O que o novo vereador não citou é que, alegam a defesa e familiares de Gouvêa, o parlamentar compareceu ao Gaeco, quando solicitado, e, segundo o próprio Gaeco, só prestará depoimento em juízo - o inquérito que resultou na denúncia criminal de peculato e constrangimento ilegal a testemunha foi fechado com outros depoimentos. Outro ponto que chamou atenção foi a afirmativa de Berbel de que o Judiciário, ''após analisar as provas apresentadas no processo e as alegações de Gouvêa, achou por bem afastá-lo do cargo''. Nas quatro ações protocoladas contra o parlamentar, ele ainda não é réu - tanto a prisão preventiva quanto o afastamento cautelar, segundo o Judiciário, teriam sido determinados a fim de que o vereador não atrapalhasse a instrução processual.
A revolta dos colegas foi despertada de vez, contudo, quando o vereador declarou que ''o povo está cansado de ver denúncias contra políticos serem jogadas debaixo do tapete''. O presidente do Legislativo, José Roque Neto (PTB), retrucou que ali ''não é uma fábrica de tapetes''. Joel Garcia (PDT) evocou os 32 anos de carteira de trabalho para dizer que ''sou honesto e trabalhador, não sou tapeteiro. Isso que foi dito é um desrespeito à Câmara'', queixou-se. Já Tito Valle (PMDB) mandou um recado ao novo colega: ''Ele chegou chutando a canela dos possíveis companheiros, mas tem tempo para aprender. Ele foi infeliz, ácido nas declarações, mas o importante é que aqui não tem jeito de trabalhar sozinho'', ironizou, referindo-se à aprovação de projetos. Depois, o peemedebista saiu, mais uma vez, em defesa de Gouvêa: ''Como advogado que ele é, assim como eu, deve saber que o vereador tem direito à ampla defesa e que o julgamento cabe apenas à Justiça''.

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