Curitiba - O suplente que ocupará a vaga aberta na Assembleia Legislativa após a renúncia do ex-deputado Fernando Ribas Carli Filho (PSB) segue indefinido. O presidente do Legislativo, Nelson Justus (DEM), informou ontem que o caso foi para análise da Procuradoria da Casa. A dúvida seria entre o advogado Wilson Quinteiro (PSB), de Maringá, e Mário Roque (PMDB), ex-prefeito de Paranaguá. Com base nos números das eleições de 2006, Roque seria o primeiro suplente, mas, por ter trocado de legenda, Quinteiro também pleiteia a cadeira. ‘‘Não cabe à Assembleia Legislativa entrar no mérito. Tão logo recebi a carta de renúncia, já encaminhei o caso à Procuradoria’’, comentou Justus. Ele afirma que não há prazo certo para definição de um nome, mas que deseja resolver o assunto ‘‘o mais rápido possível’’.
  Justus leu ontem em plenário a carta de renúncia de Carli Filho, que chegou à Casa na última sexta-feira. Carli Filho renunciou em meio a um processo de cassação do seu mandato por suposta quebra de decoro parlamentar devido ao seu envolvimento num acidente de carro, no último dia 7, com duas vítimas fatais. Carli Filho, que permanece internado num hospital de São Paulo, dirigia com carteira de motorista suspensa, em alta velocidade e teria consumido bebida alcoólica. Por conta da renúncia, o processo foi extinto.
  Após a leitura da carta de renúncia, os deputados se manifestaram sobre o assunto com elogios à atuação de Carli Filho na Casa. O tio de Carli Filho, Plauto Miró (DEM) disse que precisava deixar registrada a atitude do sobrinho: ‘‘Ele abre mão do foro privilegiado para ser julgado como qualquer cidadão comum’’. O líder da base aliada, Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), afirmou que Carli Filho foi um ‘‘parlamentar responsável, dedicado, estudioso, assíduo’’ e criticou a cobertura que a imprensa daria aos casos envolvendo políticos. ‘‘Ao deixar o mandato, ele não nos liberta de um ônus. Mas ele se livra do ônus de ser deputado estadual. Porque somos criticados diariamente. Agora ele vai ser julgado sem as tensões do mandato’’, discursou Romanelli.
  Durval Amaral (DEM) também falou que Carli Filho ‘‘se empenhava para exercer o mandato’’ e também fez críticas à imprensa. ‘‘Ninguém tem direito de transformar o acidente em fato político ou profissional. Se tivéssemos privilégios, se usássemos ‘carteiraço’, não teríamos nenhum ponto na carteira de motorista’’, disse ele, em referência aos desdobramentos do caso na imprensa. Como revelou reportagem da FOLHA, não era só Carli Filho tinha problemas com a carteira de habilitação. Dos 54 deputados estaduais, mais de 20 tinham notificação de suspensão de carteira de motorista ou já estavam com o documento suspenso.
  Justus também reclamou de quem sugeriu que os deputados teriam pressionado Carli Filho a renunciar. ‘‘Nenhum dos parlamentares, exceto o tio dele (Plauto Miró), teve contato com Carli Filho. Não é verdade que fizemos pressão para ele renunciar. Ele não nos envergonhou. E ninguém pode dizer que ele não cumpriu com seu papel como parlamentar’’, disse Justus.
  Apesar de o PSB compor a bancada independente da Casa, Carli Filho votava com a bancada da oposição na maioria das matérias. Com base eleitoral em Guarapuava, ele era o mais novo parlamentar da atual legislatura.

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