A denúncia que deu origem à investigação sobre irregularidades na Acesf incluiu o superintendente do órgão, Osvaldo Moreira Neto, e seu padrinho político, o ex-vereador Orlando Bonilha (PR). Em depoimento aos promotores, o ex-funcionário de uma empresa que realiza tanatopraxia, Alex Aparecido Janes Martins, afirmou que a venda forçada renderia aproximadamente R$ 400 de lucro para as pessoas envolvidas no esquema. ''(...) destes valores, R$ 200 seriam destinados para o vereador Bonilha e para o Neto; R$ 60 para 3 funcionários da Acesf que indicavam as empresas e R$ 100 referentes a uma taxa recolhida junto à Acesf''.
No último dia 3, aproximadamente um mês após ter comparecido ao Gaeco, Alex Martins foi preso em Cornélio Procópio, acusado de tráfico de 1,5 kg de crack. Ele foi indiciado no inquérito policial e está detido na Cadeia Pública do município. Em depoimento à Polícia Civil (PC), Martins alegou que estava apenas fazendo uma corrida como mototáxi.
O ex-vereador Orlando Bonilha negou participação no esquema, mas não quis conceder entrevista. O presidente da Acesf, Osvaldo Moreira Neto, desqualificou a credibilidade de Martins. ''Para mim, um traficante não pode servir como testemunha'', disse. Ele chegou a classificar Martins de ''marginal e bandido''.
Os promotores Renato de Lima Castro e Jorge Fernando Barreto da Costa disseram à FOLHA que o envolvimento de todos os citados no depoimento de Alex Martins está sob investigação e que a prisão do denunciante não invalida necessariamente suas declarações. (F.C.)

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