Curitiba - Atendendo determinação do Tribunal de Contas da União (TCU), que apura denúncias de irregularidades na gestão do superintendente regional do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), no Paraná, David José de Castro Gouvêa, a direção da autarquia em Brasília decidiu afastá-lo do cargo. A gota d'água foi uma denúncia protocolada no TCU em 21 de janeiro, cujo teor é mantido em sigilo. No entanto, outros dez processos em aberto no TCU, desde 2006, determinam a Gouvêa a devolução de R$ 27 milhões aos cofres públicos.
Em nota, a assessoria de imprensa do Dnit nacional antecipou que a portaria do órgão - que comunica o afastamento de Gouvêa e institui uma comissão para investigar as denúncias - estará na edição de hoje do Diário Oficial da União. A comissão terá 30 dias para concluir os trabalhos. O analista de Infraestrutura de Transportes, Emerson Cooper Coelho, exercerá o cargo interinamente.
A síntese do processo, no site do TCU, informa, apenas tratar-se de denúncias referentes a ''atos e contratos'' e à ''legalidade e legitimidade de atos da gestão'' de Gouvêa. Os demais processos são decorrentes, em sua maioria, de auditorias em obras rodoviárias emergenciais nas BRs 272 e 476. Algumas decisões resultaram na suspensão das obras e na retenção cautelar de recursos destinados a elas.
Além do histórico de processos envolvendo a gestão de Gouvêa, o fato de o governo federal ter destinado ao Dnit no Paraná, em 2008, perto de R$ 622 milhões também pesou na determinação do afastamento. O TCU informou ainda que deverá fazer uma ampla auditoria em todos os contratos.
A FOLHA não conseguiu contato com o superintendente regional do Dnit por meio da assessoria de imprensa, em Curitiba, nem pelo celular.

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