Superávit vem com planejamento
Curitiba - Enquanto não há consenso político para as votações, os prefeitos se viram como podem. Segundo o prefeito de Chopinzinho (46 km ao norte de Pato Branco), Vanderlei José Crestani (PDT), sem um planejamento para gerar superávit no início do ano, no fim do ano o dinheiro acaba. Por isso, Crestani encurta as rédeas até março para garantir dinheiro em caixa. ''Conseguimos um superávit de 10% do orçamento no início do ano, para cobrir o segundo semestre'', explicou.
O orçamento de Chopinzinho é de R$ 20 milhões, e o FPM representa 25% da receita total. ''Por causa da queda, suspendemos a pavimentação urbana de alguns trechos'', lamenta Crestani. ''Temos que diminuir despesas e serviços. Não tem outro jeito. O problema é cortar serviços permanentes. É terrível ter que explicar para a população que um determinado serviço não vai existir mais'', afirma.
Apesar das dificuldades, Crestani diz que os administradores não podem perder a esperança de lutar por melhorias. ''Mas nós deveríamos ter negociado a votação de mais recursos para os municípios na eleição do presidente da Câmara (Aldo Rebelo, do PCdoB). Agora passou o momento, o governo federal não dá atenção para os prefeitos.''
As pequenas cidades são as que mais sofrem, pois 79% dos 399 municípios têm no FPM sua principal receita. Mas não são as únicas que necessitam dos recursos. Maringá, com 320 mil habitantes, também usa o dinheiro do FPM para pagar fornecedores, por exemplo. De acordo com o prefeito Silvio Barros (PP), o FPM representa aproximadamente 10% do orçamento da cidade, de R$ 300 milhões. ''Hoje os prefeitos têm muitas obrigações financeiras e poucos repasses'', resume Barros.
O prefeito de Maringá avalia que a estrutura atual não faz justiça à cidade, deveria ser mais ágil, e por isso propôs uma reestruturação da máquina. Para Barros, o desafio está em administrar uma máquina que ''bebe mais do que arrecada''. Ele diz que precisaria de mais dinheiro para corrigir deficiências nas áreas de saúde e segurança. Barros lembra ainda que, além de repasses insuficientes, muitas vezes os valores chegam a menos para as prefeituras e é necessário uma batalha judicial para receber os valores devidos. (M.D.)





