Curitiba - Os deputados que desconfiam de escutas ilegais nos telefones da Assembléia Legislativa estão preocupados porque até agora a direção da Casa não determinou uma verredura nas linhas. A deputada Elza Correia (PMDB), de Londrina, pretende tomar providências na segunda-feira, assim que retornar a Curitiba. Elza vai consultar seus assessores e analisa a possibilidade de ela mesma pedir para averiguar as linhas. Tadeu Veneri (PT) é outro que pretende tomar providências na semana que vem.
A suspeita de escutas clandestinas estourou na primeira semana após a reabertura dos trabalhos deste ano. Desde o dia 16 de fevereiro, diversos deputados receberam ligações anônimas informando que os telefones da Casa estariam grampeados. No plenário, no dia 19 de fevereiro, Elza cobrou explicações da mesa executiva. A direção da Casa prometeu tomar providências. Ontem, o vice-presidente da Assembléia, Natálio Stica (PT), disse que não sabia se algo já havia sido feito. Ele disse que conversaria com o presidente, Hermas Brandão (PSDB). A Folha não conseguiu contato com Brandão para comentar o assunto.
A preocupação dos parlamentares com segurança vai além dos supostos grampos telefônicos. No último final de semana de recesso, quatro gabinetes foram arrombados. Todos pertencem a deputados do PT. Não foram levados objetos de valor, mas as portas foram forçadas e os computadores foram deixados ligados. Por isso, os parlamentares acreditam que os responsáveis pelos arrombamentos buscavam informações. Eles desconfiam de uma tentativa de intimidação. Foram violados os gabinetes dos petistas Tadeu Veneri, Luciana Rafagnin, Elton Welter e Padre Paulo.
Do gabinete de Veneri foram levados documentos sobre a CPI da Companhia Paranaense de Energia (Copel), encerrada no ano passado. A deputada Luciana Rafagnin também acredita que foram copiados arquivos dos computadores. No gabinete do deputado Elton Welter, um técnico confirmou que foram acessados dados dos computadores. E no gabinete do deputado Padre Paulo, os funcionários também acreditam que informações tenham sido copiadas.
Os deputados registraram queixa na polícia, mas até agora não há nenhuma conclusão. As queixas foram registradas no 3º Distrito Policial, no bairro Mercês, mas foram encaminhadas para a Furtos e Roubos, segundo o 3º DP. Na Furtos e Roubos, a informação é que as queixas ainda não foram repassadas.

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