Sumiço de vereador divide Sertanópolis
Patrícia Zanin
De Londrina
Uma história confusa, desencontrada e de aparente disputa entre grupos políticos está movimentando Sertanópolis (40 km ao norte de Londrina). O vereador Sebastião Miguel (PPB) é tido como desaparecido pela família, que registrou queixa na delegacia na segunda-feira. O filho do vereador, Jair Miguel, diz que o pai foi vítima de um sequestro político porque votaria a favor da cassação do prefeito Reinaldo Ramos Reis (PSDB), de quem é aliado. O grupo do prefeito, no entanto, afirma que o vereador está numa praia não informou onde descansando com um amigo, Fernando Juliani.
Para família, Sebastião Miguel foi vítima de sequestro político. Grupo do prefeito diz que vereador descansa em praia
Ele saiu de casa na quarta-feira passada, às 6 horas, dizendo que ia para Curitiba, em companhia do prefeito e do chefe de gabinete Sérgio Reis e que voltaria na sexta-feira. Até agora não apareceu, contou Jair Miguel. Segundo ele, Juliani foi buscar o pai em casa. Acho que meu pai sofreu pressão porque ele é uma pessoa muito honesta e seria capaz de votar pela cassação do prefeito. Por isso queriam que ele estivesse fora.
Sobre o comentário de que o pai poderia estar na praia, Jair Miguel disse desconfiar. Por que ele não ligou? Nós não temos telefone, mas os vizinhos têm. Ele trabalhou como vigia da prefeitura até o mês passado e negou que faça parte do grupo de oposição ao prefeito. Eu pedi para sair. E não estou a serviço de nenhum grupo porque ninguém faz minha cabeça.
O vereador Antônio Vieira (PPS), sargento da reserva da Polícia Militar, classifica a história como um mistério e admite que na cidade, de 15 mil habitantes, só se fala nisso. Não acho que foi sequestro, mas pode-se dizer de um planejamento político para não passar o impeachment, acredita o vereador, de oposição.
O pedido de impeachment contra Reis foi proposto pelo vereador Élio Casagrande (PTB), motivado pela falta de resposta aos pedidos de informação encaminhados ao prefeito. O documento foi rejeitado na sessão de segunda-feira por 4 votos contra 2. Não votaram o presidente do Legislativo, o autor do pedido e Sebastião Miguel.
Alguns pedidos de informação não foram respondidos, mas a oposição tenta usar isso para denegrir a imagem do prefeito, que resgatou a credibilidade política do município. Não passa de desespero da oposição, analisou a vereadora Neide Babúgia (PSC). O chefe de gabinete do prefeito de Sertanópolis, Sérgio Reis, disse que, mesmo se tivesse comparecido à sessão, o vereador Sebastião Miguel votaria a favor do prefeito. Ele é nosso aliado.
Reis disse ainda que o vereador, tido como desaparecido pela família, está na praia. O curioso é que, apesar da convicção da afirmativa, nenhum aliado de Miguel soube dizer qual é o local. Ele deve voltar até o final da semana.
O prefeito classificou a denúncia de sequestro político do vereador como uma armação da oposição. É uma tentativa de jogar a opinião pública contra nós, mas o povo não acredita nessas maldades, afirmou. Segundo o prefeito, seus adversários políticos forjaram o sequestro de um sobrinho seu que era candidato a vereador, nas eleições de 96. Esse filme a gente já viu e essa armação não pega mais. Ele repetiu a versão de viagem do vereador. Acho que ele nem sabia da votação do impeachment.





