Leandro Donatti
De Curitiba
A Assembléia Legislativa do Paraná extraviou ofício encaminhado pela CPI do Narcotráfico solicitando a instalação de uma micro-CPI no Estado, para investigar o tráfico de drogas. O documento foi despachado via Correio pela Secretaria da CPI fixada em Brasília, em setembro passado, depois de uma reunião deliberativa comandanda pelo presidente da comissão, deputado federal Magno Malta (PTB-ES), no Acre.
Nelson Justus (PTB) e Hermas Brandão (PTB), presidente e secretário geral da Assembléia respectivamente, disseram ontem que nunca viram o ofício. A Secretaria da CPI, entretanto, assegurou que o documento foi registrado pelos Correios e chegou ao Paraná. A Folha apurou que o pedido de micro-CPI foi endereçado a Aníbal Khury (PFL). A CPI não tinha conhecimento ainda da morte do deputado estadual, em 30 de agosto.
‘‘Não estou sabendo de nada’’, disse Nelson Justus ontem, em tom de surpresa. ‘‘Só se alguém pegou e não me avisou’’, emendou o presidente da Assembléia. Hermas Brandão fez coro às declarações de Justus. O deputado disse que não passou pelas suas mãos qualquer ofício da CPI do Narcotráfico e que na Assembléia não há registros de recebimento, como atestou a Secretaria da CPI ontem à tarde.
Para os dois, não há problema em se discutir o assunto. Justus acha que, como o Brasil inteiro está voltado nesse assunto, as Assembléias também têm de criar mecanismos. O deputado, no entanto, não adiantou se vai determinar por ofício a instalação da micro-CPI, como solicitou a do Narcotráfico. Hermas Brandão foi mais contido. Ele acha que a instalação depende da decisão da maioria, via projeto de resolução. Neste caso, dificilmente o pedido da CPI do Narcotráfico seria atendido. O Legislativo do Paraná não tem tradição em CPIs. Pelo contrário, desde o primeiro mandato do governador Jaime Lerner (PFL), todos os pedidos de CPIs mais ‘‘picantes’’ naufragaram e não saíram do papel.
O paradeiro do ofício abrindo um braço da CPI no Narcotráfico no Paraná é um mistério intrigante. O diretor geral da Assembléia, Abib Miguel, disse ontem por telefone que a maior parte da correspondência endereçadas a Khury, depois da sua morte, foi entregue à viúva Niva Khury. ‘‘Um documento como esse iria direto para a mesa executiva da Assembléia. Pode ter havido um extravio sim’’, admitiu o diretor à Folha.
Ofício semelhante ao extraviado pelo Legislativo do Paraná foi encaminhado às Assembléias de outros Estados, segundo consta de notícia publicada ontem pela ‘‘Folha de S.Paulo’’. Dos 27 Estados acionados pela CPI, para instalarem comissões regionais, apenas Maranhão, Acre e Mato Grosso atenderam ao pedido. A idéia das CPIs regionais é ‘‘combater o avanço e a impunidade do narcotráfico’’.
Para o deputado federal do Paraná, Padre Roque Zimmermann (PT), o único representante do Estado na CPI do Narcotráfico, as micro-CPIs devem ser encaradas com cautela. ‘‘Não sei até que ponto essa idéia é boa nesse momento. A CPI antes era uma coisa. Agora é outra’’, assinalou. Segundo Roque, a proposta pode pulverizar de forma negativa as investigações centralizadas hoje em Brasília. ‘‘Vai ter muito figurão nessas Assembléias tentando ficar com os holofotes’’, disse.

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