Curitiba - Candidatos ''sujões'', que fixarem publicidade em locais impróprios, agora passarão pelo constrangimento de ter sobre sua imagem uma tarja com a inscrição ''propaganda irregular''. A medida inédita foi adotada esta semana pela 3 Zona Eleitoral, que cuida da fiscalização da propaganda política em Curitiba. A Justiça Eleitoral garante que a iniciativa já vem contribuindo para reduzir a poluição visual na cidade.
O chefe da 3 Zona Eleitoral, Claudionir Viana, disse que a pouca estrutura do órgão para dar conta da retirada das propagandas de lugares proibidos foi o que os motivou a implantar a medida alternativa. ''Com a falta de estrutura para fazer fiscalização a gente acaba sendo vencido pelos próprios infratores'', declarou, lembrando que são apenas seis funcionários para atender Curitiba inteira.
A idéia da tarja, explicou Viana, partiu do selo usado por empresas para assegurar a qualidade de seus serviços ou produtos, só que com intenção oposta. ''É para a população ver que, apesar daquele candidato ter saído bonito na foto, fez feio ao colar propaganda em local proibido'', afirmou Viana. ''As pessoas também poderão avaliar que se ele (o candidato) não obedece nem a legislação eleitoral, como será sua administração?'', completou.
Segundo Viana, em Curitiba, as infrações mais comuns têm sido a fixação de publicidade em viadutos, postes de transmissão de energia elétrica ou de telefonia. Também é proibida a colagem ou pixação em muros e paredes de escolas ou repartições públicas e, ainda, em propriedades particulares sem autorização do dono.
Com a implantação da tarja de ''propaganda irregular'', a Justiça Eleitoral espera motivar os próprios candidatos a fazerem a retirada dos cartazes de locais impróprios. Caso isso não aconteça, o processo é encaminhado ao procurador regional eleitoral para as medidas cabíveis, que tanto pode ser a fixação de novo prazo para a retirada do material ou aplicação de multa que varia de R$ 5 mil a R$ 15 mil.
Nem todas as formas de propaganda podem ser atingidas pela tarja, entretanto. Ontem, correligionários de Alvaro Dias (PDT) distribuíam sacolas nos semáforos da Capital com o nome do candidato ao governador seguido da inscrição: ''Coligação Frente Trabalhista''. Segundo uma decisão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), que acatou um pedido do candidato do PPS, Rubens Bueno, Alvaro está proibido de usar a denominação. O PDT acabou adotando o nome ''Coligação Vote 12''.

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