Suíça registra mais de 60 denúncias por lavagem de dinheiro
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sexta-feira, 06 de novembro de 2015
Jamil Chade <br> Agência Estado 
Genebra - Autoridades suíças apresentaram mais de 60 denúncias por lavagem de dinheiro envolvendo pessoas ligadas ao escândalo da Petrobras. A informação faz parte do Escritório de Combate à Lavagem de Dinheiro da Suíça, que repassou as informações para o Ministério Público da Suíça, mas sem citar os nomes dos denunciados. O jornal "O Estado de S.Paulo" revelou nesta semana que o país europeu investiga três bancos por irregularidades no caso da Petrobras e indicou que os suíços poderiam ainda repassar dados sobre outras cem contas ao Brasil.
No início do ano, o Ministério Público da Suíça informou que 300 contas com mais de US$ 400 milhões em cerca de 30 bancos foram congelados como resultado das investigações sobre a estatal. Nas delações de alguns dos envolvidos, bancos como Pictet, HSBC, Joseph Safra, Julius Baer e outros foram citados como tendo sido usados para transferir milhões de dólares. Desde então, esse número já aumentou e os dois países conversam sobre como podem ampliar a cooperação.
Na Suíça, o caso também abalou o sistema financeiro. O porta-voz da Autoridade de Supervisão do Mercado Financeiro da Suíça (FINMA), Tobias Lux, informou que a entidade esteve em contato com "diferentes bancos e agentes de valores mobiliários diante do caso de corrupção ligado à Petrobras".
Em março de 2014, alguns desses bancos foram orientados a congelar as contas de correntistas ligados à estatal. Em 2015, o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) também teve sua conta bloqueada no banco Julius Baer. Segundo o MP, foi o banco que informou sobre atividades suspeitas por parte do deputado.
Em setembro, foram as conclusões sobre três bancos que chamaram a atenção da agência reguladora. "Para três bancos, a FINMA constatou a falta de dispositivos para lutar contra a lavagem de dinheiro", explicou Lux, que se recusou a dar os nomes dos bancos implicados. As instituições passarão, portanto, a fazer parte de um processo.
O caso envolvendo a Petrobras tem tido uma importante repercussão entre os bancos e as autoridades. Há duas semanas, a presidente do país, Simonetta Sommaruga, garantiu que vai ajudar o Ministério Público brasileiro a lutar contra a corrupção, seja quem for a pessoa sob suspeita ou o tamanho da empresa envolvida.
O caso da Petrobras obrigou os gerentes de contas em bancos suíços a redobrar seus cuidados com a abertura e transferências de contas relacionadas a pessoas que se apresentam como funcionários ou diretores da estatal. Segundo a Associação de Bancos da Suíça, uma orientação passou a circular entre as instituições para que verificassem de uma maneira mais cuidadosa a origem de ativos de pessoas que tentam abrir contas e que se apresentam como membros da estatal brasileira. Para o presidente da entidade, Patrick Odier, porém, os bancos não podem ser culpabilizados pela abertura de contas em nome de pessoas envolvidas no caso da Petrobras. Odier é o presidente do Conselho de Diretores do banco Lombard Odier & Co Ltd. desde janeiro de 2014.


