Arquivo FolhaNedson Micheleti acha que afastamento de diretores da Cohab vai dar mais legitimidade aos trabalhos da CEIO deputado federal Nedson Micheleti (PT), ex-presidente da Cohab (Companhia de Habitação de Londrina) defende o afastamento da diretoria da Companhia para que a Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Câmara de Vereadores possa garantir mais legitimidade aos trabalhos. A CEI vai investigar denúncias de irregularidades administrativas na Cohab e foi criada em virtude da repercussão de uma reportagem publicada pelo jornal ‘‘Correio Braziliense’’, de Brasília. Na reportagem, o deputado José Janene (PPB) estaria exigindo a demissão do diretor técnico da Companhia, Heleno Solano Rabello.
‘‘Manter a diretoria é um empecilho à boa investigação’’, defende Micheleti. Ele disse que o prefeito Antonio Belinati (PDT) agiu rápido ao pedir a investigação à Câmara - a CEI foi requisitada por Belinati -, mas acredita que a medida tinha que ser acompanhada do afastamento da diretoria. Ele alega que a presidência e os diretores estão numa situação enfraquecida por causa do episódio envolvendo a construção de dez casas populares no conjunto Ilda Mandarino, zona norte, através de um projeto-piloto proposto pela construtora Grande Piso, de Foz do Iguaçu. O projeto estava sendo mantido em sigilo pela diretoria e só se tornou público depois da criação da CEI. As casas usam telhas de fibrocimento (‘‘Eternit’’) ao invés de tijolos.
‘‘Mesmo em teste, o projeto pedia uma licitação. Por que privilegiar uma construtora?’’, questiona o ex-presidente da Cohab, alegando que a diretoria feriu a lei de licitações. Micheleti argumenta que se a Cohab estava interessada em testar tecnologias alternativas para construção de casas a baixo custo, deveria propor uma licitação que contemplasse outros interessados. ‘‘Esta é uma forma de se privilegiar e direcionar futuros negócios’’, acredita. Ele também criticou o fato de o conselho municipal de habitação ter sido ignorado pela Companhia.
O Sindicato dos Engenheiros de Londrina requisitou informações à Prefeitura de Foz do Iguaçu sobre as casas construídas no município pela tecnologia que está sendo testada em Londrina. Segundo o presidente da entidade, Jorge Avanzi, o objetivo é obter subsídios técnicos sobre o projeto. ‘‘Para saber na prática como são essas casas é necessário avaliar as experiências já existentes e verificar se a moradia atende a contento’’, esclarece.
Outra preocupação é em relação ao preço. A casa pronta, incluindo terreno e infra-estrutura, sairia, de acordo com a Cohab de Londrina, por R$ 12 mil. Ainda segundo a Cohab, o metro quadrado custa R$ 120,00. Avanzi diz que a telha de fibrocimento barateia - e muito - o custo da construção por causa do material e mão-de-obra, mas ele não soube estimar de quanto seria a redução em relação ao material convencional. A Comissão inicia os trabalhos na próxima quarta-feira, às 14 horas, ouvindo o presidente da Cohab, José Caetano Perri, e o diretor técnico, Heleno Solano Rabello.

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