Sugerido afastamento na Cohab
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sábado, 29 de março de 1997
Patrícia Zanin Da Redação 
Arquivo FolhaNedson Micheleti acha que afastamento de diretores da Cohab vai dar mais legitimidade aos trabalhos da CEIO deputado federal Nedson Micheleti (PT), ex-presidente da Cohab (Companhia de Habitação de Londrina) defende o afastamento da diretoria da Companhia para que a Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Câmara de Vereadores possa garantir mais legitimidade aos trabalhos. A CEI vai investigar denúncias de irregularidades administrativas na Cohab e foi criada em virtude da repercussão de uma reportagem publicada pelo jornal Correio Braziliense, de Brasília. Na reportagem, o deputado José Janene (PPB) estaria exigindo a demissão do diretor técnico da Companhia, Heleno Solano Rabello.
Manter a diretoria é um empecilho à boa investigação, defende Micheleti. Ele disse que o prefeito Antonio Belinati (PDT) agiu rápido ao pedir a investigação à Câmara - a CEI foi requisitada por Belinati -, mas acredita que a medida tinha que ser acompanhada do afastamento da diretoria. Ele alega que a presidência e os diretores estão numa situação enfraquecida por causa do episódio envolvendo a construção de dez casas populares no conjunto Ilda Mandarino, zona norte, através de um projeto-piloto proposto pela construtora Grande Piso, de Foz do Iguaçu. O projeto estava sendo mantido em sigilo pela diretoria e só se tornou público depois da criação da CEI. As casas usam telhas de fibrocimento (Eternit) ao invés de tijolos.
Mesmo em teste, o projeto pedia uma licitação. Por que privilegiar uma construtora?, questiona o ex-presidente da Cohab, alegando que a diretoria feriu a lei de licitações. Micheleti argumenta que se a Cohab estava interessada em testar tecnologias alternativas para construção de casas a baixo custo, deveria propor uma licitação que contemplasse outros interessados. Esta é uma forma de se privilegiar e direcionar futuros negócios, acredita. Ele também criticou o fato de o conselho municipal de habitação ter sido ignorado pela Companhia.
O Sindicato dos Engenheiros de Londrina requisitou informações à Prefeitura de Foz do Iguaçu sobre as casas construídas no município pela tecnologia que está sendo testada em Londrina. Segundo o presidente da entidade, Jorge Avanzi, o objetivo é obter subsídios técnicos sobre o projeto. Para saber na prática como são essas casas é necessário avaliar as experiências já existentes e verificar se a moradia atende a contento, esclarece.
Outra preocupação é em relação ao preço. A casa pronta, incluindo terreno e infra-estrutura, sairia, de acordo com a Cohab de Londrina, por R$ 12 mil. Ainda segundo a Cohab, o metro quadrado custa R$ 120,00. Avanzi diz que a telha de fibrocimento barateia - e muito - o custo da construção por causa do material e mão-de-obra, mas ele não soube estimar de quanto seria a redução em relação ao material convencional. A Comissão inicia os trabalhos na próxima quarta-feira, às 14 horas, ouvindo o presidente da Cohab, José Caetano Perri, e o diretor técnico, Heleno Solano Rabello.


