Brasília - O diretor de Abastecimento da Petrobras, José Carlos Cosenza, afirmou anteontem que "nunca" ouviu falar da existência de um cartel de empresas que atuava na estatal para atender a interesses políticos, conforme delatado à Justiça Federal do Paraná pelo seu antecessor no cargo, Paulo Roberto Costa. Em depoimento à CPI mista da Petrobras, também disse desconhecer, durante os 38 anos como funcionário da empresa, qualquer esquema de desvio de recursos e pagamento de propina a políticos e trabalhadores da estatal.
Cosenza disse ter conhecido Paulo Roberto Costa - que comandou a diretoria de Abastecimento de 2004 a 2012 - apenas em 2008, quando assumiu a Gerência de Refino, subordinada à Diretoria de Abastecimento. Com a demissão de Costa, ele passou a ocupar o posto.
À CPI mista, Cosenza admitiu que até o momento não houve qualquer punição após a deflagração, em março, da Operação Lava Jato, nem após o início do processo de delação feito por Costa, no fim de agosto. Disse que a estatal está fazendo investigações dentro e fora da companhia e que entende ser temerário aplicar punições sem ter as conclusões.
Inicialmente, em resposta ao relator da CPI, deputado federal Marco Maia (PT-RS), o diretor disse que não tivera qualquer contato ou relação comercial com Costa desde que ele deixou a Diretoria de Abastecimento. Depois, após ser questionado pelo líder do PPS na Câmara, Rubens Bueno (PR), que o alertou de que poderia ser processado se mentisse à comissão, reconheceu ter conversado cinco vezes com o ex-diretor após ele sair do cargo - dois contatos foram pessoais e três por telefone.
Cosenza disse que a primeira reunião ocorreu logo após ter assumido a diretoria para tratar sobre a "passagem de serviços".
Ele garantiu que nunca foi procurado por qualquer pessoa para dar continuidade ao esquema patrocinado pelo antecessor e destacou que chegou ao cargo por indicação da atual presidente da estatal, Graça Foster. "Reitero, ninguém me procurou e, se procurasse, não estaria sensível a isso", respondeu ao deputado Sandro Mabel (PMDB-GO), que disse que o diretor foi, sim, procurado para manter o esquema.

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