Sucessão na Câmara prepara eleição 2002
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domingo, 19 de novembro de 2000
Christiane Samarco e Cláudia Carneiro Agência Estado 
O nervosismo da cúpula do PFL e a apreensão do governo diante da briga entre o presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), e o presidente e líder do PMDB, senador Jader Barbalho (PA), têm razões que ultrapassam a disputa pelos postos de comando do Congresso e chegam à corrida presidencial. O Palácio do Planalto e os líderes aliados vêem na sucessão do Legislativo o primeiro embate na base governista que vai repercutir no cenário de 2002.
O que ameaça o PFL e assusta o governo é a possibilidade de uma aliança entre o PMDB de Jader e o PSDB do líder e candidato a presidente da Câmara, Aécio Neves (MG). Mais do que perder a cadeira de presidente da Câmara, o temor do PFL é acabar espremido à direita, sem espaço para o discurso social liberal com o qual quer firmar-se, em 2002, como um partido nacional, moderno e de centro. O Planalto, por sua vez, já dá como certa a eleição de Jader para presidente do Senado e, em nome da governabilidade, torce nos bastidores pela candidatura do líder do PFL, deputado Inocêncio Oliveira (PE).
A briga na base não tem sentido se for uma mera disputa de espaço no Congresso, diz o líder Aécio, em defesa da tese de que a escolha do candidato a presidente da Câmara tem conexão com 2002. Decorre daí não só a disposição para uma parceria preferencial com o PMDB, como também o interesse dos tucanos em abrir o diálogo com os partidos de oposição. Este interesse é recíproco, porque o PT sabe que, se chegar ao poder em 2002, precisará do PSDB para garantir a governabilidade, explica um dirigente nacional tucano.
A divisão da base agora é muito ruim, porque pode deixar sequelas quando as três candidaturas mais fortes à Presidência da República hoje são de oposição, pondera Inocêncio Oliveira, referindo-se a Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Ciro Gomes (PPS) e Itamar Franco (sem partido). O PFL sonha em fechar acordo com o PMDB, para garantir sua eleição a presidente da Câmara. Mas como o desfecho da briga entre Jader e ACM é imprevisível, a direção nacional do partido marcou o lançamento de Inocêncio para quarta-feira e decidiu investir no racha do PMDB.
Tudo para impedir um acerto entre tucanos e peemedebistas. Não podemos permitir que o PSDB e o PMDB se juntem contra nós, promovendo a união do velho MDB que combateu a ditadura com o PSDB dos intelectuais da social democracia, contra a direita, explica outro cardeal do PFL.
O empenho da cúpula na eleição de Inocêncio é tamanho que o presidente nacional do partido, Jorge Bornhausen (SC), já combinou com a bancada de senadores que todos deverão trabalhar na caça aos votos para o líder.
Seria mais fácil para o PFL, não fosse a candidatura avulsa de Severino Cavalcanti (PPB-PE), que o líder do PPB na Câmara, Odelmo Leão (MG), já fala em apadrinhar oficialmente. Mas Severino não quer saber de lançamento restrito ao partido. Há quatro anos em campanha, ele se apresenta como candidato independente e supra-partidário e, por isso mesmo, prefere ser lançado no plenário. Ele também trabalha para rachar o PMDB e aposta que tem os votos da dissidência do partido. Refere-se à parcela história de três dezenas de descontentes com o governo que recriou a velha sigla do MDB no Movimento Democrático de Base.


