Curitiba - A eleição para a sucessão de Ratinho Júnior em 2026 deverá opor o PSD do atual governador, maior vencedor das eleições municipais deste ano no Paraná, e o senador Sergio Moro (União Brasil). A tendência é que a corrida pelo Palácio Iguaçu repita a lógica das eleições deste ano, com a disputa entre forças de direita e centro-direita.

Nos bastidores políticos, o PSD é visto como a grande força para 2026. Com 164 prefeituras conquistadas no estado e a aprovação da gestão Ratinho Júnior em alta, a avaliação é que o apoiado pelo governador deverá largar em vantagem na corrida eleitoral.

Dentro do PSD, dois nomes disputam o apoio de Ratinho Júnior: o deputado estadual Alexandre Curi e o prefeito de Curitiba, Rafael Greca. Na única pesquisa divulgada até agora sobre a disputa, em agosto, Greca aparece com boas chances, em segundo lugar, com 17,2%, mas muito atrás de Sérgio Moro, que chegou a 41,3% das intenções de voto.

Ao contrário do avó Aníbal Khury, o deputado estadual Alexandre Curi (PSD) almeja chegar ao governo do Estado
Ao contrário do avó Aníbal Khury, o deputado estadual Alexandre Curi (PSD) almeja chegar ao governo do Estado | Foto: Valdir Amaral/Alep

O levantamento da Paraná Pesquisas ouviu 1.508 pessoas em 64 municípios e Alexandre Curi apareceu em terceiro lugar, com 9,2% das intenções de voto, mas quase três meses depois o deputado é visto nos bastidores como o principal nome do PSD para 2026. Tido como grande articulador na Alep (Assembleia Legislativa do Paraná), o deputado tem forte penetração nos municípios (teve 237 mil votos em 2022) e presidirá o Legislativo nos próximos dois anos. Neto de Aníbal Khury, presidente da Alep por cinco legislaturas, Curi já admitiu em entrevistas que colocará seu nome à disposição do PSD para 2026.

Outros nomes do campo de Ratinho Junior seriam o ex-deputado federal Paulo Eduardo Martins (PL), aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro e vice-prefeito eleito de Curitiba; e o ex-prefeito de Cascavel Leonaldo Paranhos (Podemos). O vice-governador Darci Piana (PSD) já declarou que não pretende concorrer ao governo.

O prefeito de Curitiba, Rafael Greca (PSD), disputa o apoio do partido para suceder o governador Ratinho Junior
O prefeito de Curitiba, Rafael Greca (PSD), disputa o apoio do partido para suceder o governador Ratinho Junior | Foto: Rodrigo Fonseca/CMC

Cientistas políticos ouvidos pela FOLHA concordam que o apoiado por Ratinho Júnior largará em vantagem em 2026 e avaliam que Sergio Moro terá dificuldades para articular sua candidatura. O União Brasil não teve um bom desempenho nas eleições deste ano no Estado e venceu em apenas uma grande cidade, com Elizabeth Schmidt, em Ponta Grossa.

“Ele deverá ter muito dificuldade, não elegeu praticamente ninguém que apoiou. Teve o caso de Curitiba com o Ney Leprevost (candidato a prefeito neste ano, que criticou o senador após a eleição). O Moro ainda não tem muito jeito com a política. Para ser candidato a governador ele vai ter que aprender muito”, diz o cientista político e professor da PUC Londrina Mário Sérgio Lepre.

A bolsonarista Cristina Graeml (PMB), que surpreendeu e chegou ao segundo turno na disputa pela prefeitura de Curitiba, pode entrar na corrida eleitoral pelo Palácio Iguaçu
A bolsonarista Cristina Graeml (PMB), que surpreendeu e chegou ao segundo turno na disputa pela prefeitura de Curitiba, pode entrar na corrida eleitoral pelo Palácio Iguaçu | Foto: Rui Santos/Onzex Press e Imagens/Folhapress

Um fator que pode atrapalhar um candidato mais à direita é a possível candidatura da bolsonarista Cristina Graeml (PMB), que surpreendeu e chegou ao segundo turno em Curitiba na eleição deste ano. O dilema de Graeml é entre viabilizar sua candidatura por um partido pequeno (que teria problemas em uma eleição estadual, em função da pouca penetração nos municípios) ou buscar uma sigla maior, como PL ou União Brasil, onde teria mais dificuldades para se impor e disputar o Palácio Iguaçu.

“O Sergio Moro tem a possiblidade de aglutinar um eleitorado ‘anticorrupção’ que talvez enxergue nele uma renovação na política. Mas o eleitor bolsonarista ‘antissistema’ poderia optar por ele ou pela Cristina Graeml. O Moro pode mobilizar esse eleitor, mas não seria suficiente para uma vitória”, diz o cientista político e professor universitário Doacir Quadros.

Para Mário Sérgio Lepre, um candidato de oposição a Ratinho Júnior terá dificuldade para vencer. “O Alexandre Curi quer disputar o governo, coisa que o avô dele nunca fez. O Aníbal Khury criou vários municípios e tinha muito poder, já o Alexandre vem com essa lógica de tentar ser governador. E tem chances. Se vier com a máquina do governo e a estrutura das prefeituras, tem grandes chances”.

Aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro, Paulo Martins (PL) também seriam um dos nomes do campo de Ratinho Junior
Aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro, Paulo Martins (PL) também seriam um dos nomes do campo de Ratinho Junior | Foto: Elaine Menke/Câmara do Deputados

Uma opção mais à direita poderia vir do próprio campo de Ratinho Júnior, com a candidatura de Paulo Eduardo Martins. Aliado do governador e de Bolsonaro, Martins ficou em segundo lugar na disputa pelo Senado em 2022. “Pelo fato de Ratinho e Bolsonaro terem afinidade com o Paulo Martins, poderá ser ele o escolhido. Nesse caso, o Alexandre Curi poderia ficar na Assembleia, que dá muito espaço, ou até virar secretário. São pessoas novas, com futuro ainda na política”, diz Lepre.

ESQUERDA DEVE BUSCAR ALIANÇAS

Por enquanto, o nome citado como possível candidato da esquerda ao governo do Estado em 2026 é o do presidente brasileiro da Itaipu Binacional, o ex-deputado estadual e deputado federal Enio Verri, que apareceu em quinto lugar, com 5,2% das intenções de voto em agosto, segundo a Paraná Pesquisas. Em função da rejeição ao partido no Estado, uma saída seria buscar alianças mais ao centro – estratégia que não deu certo em Curitiba, por exemplo, onde o candidato a prefeito Luciano Ducci sequer chegou ao segundo turno.

O diretor-geral brasileiro da Itaipu Binacional, Enio Verri, seria um nome da esquerda para disputar o Palácio Iguaçu
O diretor-geral brasileiro da Itaipu Binacional, Enio Verri, seria um nome da esquerda para disputar o Palácio Iguaçu | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

“O Paraná não é muito afeito a mudanças. O PT tem uma dificuldade de produzir quadros políticos competitivos no Estado. É mais para demarcar a posição do partido nessa eleição para o governo”, afirma Doacir Quadros. “Há uma baixa da capacidade de renovação da oposição no Estado, haja vista o crescimento do PSD na eleição municipal. Um fator que contribui para essa possiblidade de não mudança é a postura mais conservadora do estado. E o Ratinho Júnior tem uma grande capacidade de transferência de votos.”

Para Mário Sérgio Lepre, uma aliança com setores de centro-direta poderá ser a única estratégia para o PT em 2026, apesar do fracasso deste ano na capital. “Pode até acontecer de o Enio Verri sair do PT, porque um nome do PT não agrega. A esquerda está fragilizada, teria que procurar um partido para dar um verniz de centro se quiser sobreviver. O PT vai ter que se abraçar a um dos partidos de centro para tentar sobreviver em uma eleição que vai ter uma direita muito forte.”

Outros nomes colocados para o eleitor no levantamento da Paraná Pesquisas divulgado em agosto foram o da ex-governadora Cida Borghetti (PP) e do vice-governador Darci Piana. Cida, que apareceu em terceiro lugar, com 11,2%, seria uma opção do grupo comandado pelo deputado federal Ricardo Barros, que neste ano disputou as principais cidades com Ratinho Júnior – elegeu o irmão, Silvio Barros, no primeiro turno em Maringá. Já Darci Piana apareceu em sétimo lugar, com 1,8%.

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