Sucessão afasta PFL e PSDB
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quinta-feira, 17 de janeiro de 2002
Leandro Donatti 
Curitiba - O PFL e o PSDB do Paraná estão cada vez mais distantes de uma aliança política em torno da sucessão do governador Jaime Lerner (PFL). A oito meses das eleições, os dois partidos governistas adotam estratégias conflitantes, interpretadas por analistas como forma de auto-valorização.
Orientado ou não pela cúpula nacional, o PSDB foi o primeiro a sinalizar que o apoio do PFL não é imprescindível. O presidente da Assembléia Legislativa, Hermas Brandão (PSDB), semeou a intriga entre as duas siglas ao lançar a tese de que partido pode se aliar ao PMDB do senador Roberto Requião, arquiinimigo de Lerner.
Declarações do vice-prefeito de Curitiba e filho do ex-governador José Richa, Beto Richa (PSDB), não vendo nenhum problema no namoro com Requião, agravaram ainda mais a crise. O filho de Richa vinha sendo apontado como um nome de consenso não apenas para PFL e PSDB, mas para o PTB e setores do PPB.
A postura de Beto em não criticar a teoria de Brandão põe em risco o trabalho de lideranças pefelistas e tucanas, para pôr uma pedra em cima de uma briga travada entre Lerner e Richa no final do ano passado. Richa disse que Lerner era mau governador e Lerner revidou acusando-o de injusto.
O anúncio do secretário estadual do Desenvolvimento Urbano, Lubomir Ficinski, avisando que é pré-candidato ao governo, soou no PSDB como uma resposta à ameaça de união com o PMDB. Setores pefelistas estariam dispostos a mostrar que além do deputado federal Rafael Greca e do secretário estadual da Fazenda, Ingo Hubert, já citados como candidatos em potencial, o partido conta com outras alternativas. Postura que agrada o comando nacional do PFL, que vai precisar de apoios nos Estados para emplacar a candidatura da governadora do Maranhão, Roseana Sarney, à presidência.
O PFL busca a auto-afirmação, depois que perdeu o seu nome mais forte na briga pelo Palácio Iguaçu: o prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi. A investigação iniciada pelo Ministério Público do Paraná, em busca de um caixa 2 na campanha pela reeleição, sepulta qualquer pretensão de Cassio.
Responsável pela articulação política no governo, o novo chefe da Casa Civil, Guaraci Andrade, aposta na habilidade do governador para unir os partidos, hoje em rota de colisão. Ele já se elegeu duas vezes governador e três vezes prefeito. Tem experiência e vai conduzir o processo ou delegar isso para alguém, declarou o secretário, que aguarda para hoje o retorno do governador, em viagem à Rússia e Ucrânia. Guaraci lembrou que a meta de Lerner é manter unida a base.


