Sucessão 2002 vira jogo de xadrez no PR
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sábado, 22 de setembro de 2001
Leandro Donatti<br> De Curitiba 
A disputa pelo poder já começa a esquentar no Paraná. A pouco mais de um ano das eleições que vão marcar o fim de dois mandatos subsequentes do governador Jaime Lerner (PFL), políticos interessados em assumir o Palácio Iguaçu começam a se movimentar no jogo de xadrez. Dar um passo para trás para avançar outros dois na sequência, eliminar os adversários com jogadas rápidas e certeiras e dar o xeque-mate no dia da eleição é sonho de pelo menos 14 políticos do Estado que, de forma direta ou indireta, vão dar o tom da campanha eleitoral do ano que vem.
De acordo com a legislação eleitoral, eles têm ainda duas semanas para definir os partidos políticos pelos quais pretendem concorrer. Depois disso, está aberta a temporada de conchavos e de negociações em torno de alianças. PMDB, PT, PDT e PPS comungam o mesmo desejo. Querem ver Lerner e seu grupo fora do poder. O projeto, entretanto, pode ou não resultar em união de esforços. PFL, PTB e agora o PSDB querem manter-se no poder. Enquanto isso, PPB e o PSC ainda não revelam com todas as letras qual será o comportamento das siglas durante a campanha.
Os senadores Alvaro Dias (PDT) e Roberto Requião (PMDB) voltam a manipular peças do tabuleiro que virou a sucessão de Lerner. Neste jogo, ambos (ex-governadores) não estão em situação confortável. Alvaro assinou ficha de filiação no partido de Leonel Brizola ontem, depois de meses de desgaste político. Tem a missão agora de engordar o PDT e firmar-se como candidato ao governo. Ao convencer o irmão, Osmar, também senador, a permanecer no mesmo partido, saiu ganhando. Osmar estava sendo estimulado por setores do PMDB a concorrer ao governo, o que dividiria a base de apoio de Alvaro.
Requião não atraiu Osmar para o PMDB e o ingresso de Alvaro no PDT pode representar a perda de um forte aliado político, caso os dois não superem suas diferenças políticas, remanescentes ainda da eleição de 1994, quando Alvaro acusou Requião de não apoiá-lo integralmente na briga contra Lerner. Na eleição de 1998, por exemplo, PMDB e PDT fizeram dobradinha na briga pelo Palácio Iguaçu. Hoje, essa união não está assegurada. Para Requião, o mais cômodo mesmo seria concorrer à reeleição ao Senado, razão pela qual empenhou-se em filiar Osmar. Para este, levando-se em conta o cenário atual, não resta outro caminho senão concorrer novamente ao Senado.


