O projeto de lei que prevê a revogação da obrigatoriedade de realização de um plebiscito em caso de venda de ações da Sercomtel Celular deve receber um substitutivo de parte dos próprios autores.
Ontem, cinco dos sete parlamentares que assinam a proposta se reuniram por mais de uma hora, na presidência da Câmara, com oito funcionários da Sercomtel que compõem uma comissão especial para acompanhar a tramitação da matéria, e com representantes do Sindicato dos Empregados em Empresas de Telecomunicações (Sinttel). Além do autor da matéria, Renato Araújo (PP), participaram da reunião Orlando Bonilha (PL), Flávio Vedoato (PSC), Gláudio Renato de Lima (PT), Lourival Germano (PT), e Sidney de Souza (PTB) único que não assina o projeto.
Segundo a Folha apurou, durante a reunião foi apresentado aos funcionários da empresa um substitutivo ao projeto aprovado em primeira discussão e retirado de pauta por tempo indeterminado que propõe a revogação, além da lei do plebiscito (8.078), da lei 7.347. Essa lei autorizou a alienação parcial ou total das ações da Sercomtel, em abril de 1998, e permitiu que o então prefeito Antonio Belinati (PP) vendesse 45% das ações da telefônica para a Copel.
A medida sanaria o problema levantado pelo vereador Tercílio Turini (PPS) na semana passada. Turini defende que, com a revogação da lei do plebiscito, o Executivo poderia discutir a validade da lei que autorizou a venda em 1998, retirando a exigência de autorização legislativa em caso de nova alienação de ações.
Segundo o analista de marketing da Sercomtel, que faz parte da comissão de funcionários, Paulo Martins, a reunião foi solicitada para ''abrir um canal de conversação'' com os autores do projeto. ''Estamos procurando os vereadores para discutir possíveis saídas, para a gente trocar idéias sobre o projeto que revoga a lei do plebiscito. O que não dá é aceitarmos a discussão do projeto sem discutirmos os reais motivos da derrubada dessa lei'', argumentou. Martins não quis comentar a proposta de substitutivo feita pelos vereadores. ''A proposta foi de comissão para comissão e depende de avaliação jurídica. A idéia é que trabalhemos essa proposta e o Jurídico nos apresente um parecer amanhã (hoje) à tarde. Depois vamos levar para a categoria'', disse. ''Nos apresentaram um projeto e nos colocaram para discussão. É uma maneira de sair desse imbróglio e ficamos de estudar se é conveniente. Ficamos de nos reunir quinta-feira'', complementou o diretor do Sinttel, João Henrique Schmidt.
Segundo o presidente da Câmara, Orlando Bonilha (PL), a proposta discutida na reunião partiu do vereador petista Gláudio Renato de Lima. ''Fizemos uma proposta que surgiu do Gláudio e ficaram de estudar'', relatou.
''A proposta saiu de uma conversa com os vereadores. A idéia é minha mas foi discutida com todos'', admitiu Lima, sem confirmar ou negar a proposta do substitutivo. ''Combinamos que não íamos falar sobre isso'', justificou. Segundo Lima, a ''proposta'' somente será protocolada se os funcionários da empresa concordarem.

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