Os funcionários da Sercomtel deverão rejeitar a proposta de substitutivo ao projeto que prevê a revogação da lei que condiciona a venda de ações da Sercomtel Celular à realização de um plebiscito. A mudança no projeto original já aprovado em primeira votação prevê a revogação também da lei 7.347, que autorizou a alienação parcial ou total das ações da telefônica, na administração de Antonio Belinati (PP), em abril de 1998.
Segunda-feira o substitutivo foi apresentado à comissão especial de funcionários, formada para acompanhar a tramitação da matéria, por cinco vereadores que assinam o projeto. A revogação das duas leis sanaria a dúvida levantada na semana passada pelo vereador Tercílio Turini (PPS). Na avaliação de Turini, se derrubada a lei do plebiscito, o prefeito Nedson Micheleti (PT) poderia discutir judicialmente a validade da autorização legislativa concedida em 98 para vender os 55% de ações que pertencem ao Município.
''Nos reunimos na hora do almoço para colocar para o nosso quadro que não é nada disso. Queremos que seja mantida a lei do plebiscito'', afirmou Ivo de Bassi, membro da comissão da Sercomtel. Segundo Bassi, a proposta de substitutivo foi levada a quase todos os 700 trabalhadores da telefônica em reuniões no parque de operações, no bairro Cervejaria (zona leste), e na sede da empresa, na rua João Cândido (Centro). ''Só foi um esclarecimento de que a comissão é contra a revogação das duas leis, a da venda e a do plebiscito, e o quadro de funcionários está junto com a comissão.'' Hoje, os funcionários da empresa deverão fazer um culto ecumênico nas escadarias da sede da Sercomtel.
Segundo o diretor do Sindicato dos Empregados em Empresas de Telecomunicações (Sinttel), em Londrina, João Henrique Schmidt, ainda não há uma definição da categoria em relação à proposta de substitutivo. ''Ainda não nos definimos por não termos ainda uma resposta concreta dos funcionários'', desconversou. Conforme Schmidt, ainda não há data para comunicar os vereadores sobre a decisão da categoria.
O vereador Gláudio Renato de Lima (PT) que admitiu ter levado a idéia do substitutivo aos demais vereadores disse que deverá aguardar a resposta oficial da comissão da Sercomtel. ''Vou esperar a resposta. A decisão de fazermos o substitutivo foi discutida entre os vereadores. Não vou fazer sozinho (o substitutivo), vou conversar com outros vereadores'', disse.
Autor da lei do plebiscito, Turini se posicionou contrariamente à proposta de substitutivo. ''Eu sou contra. A lei do plebiscito é a única coisa que segura a não-venda da Sercomtel Fixa. A Sercomtel Celular está protegida pelo plebiscito. Se você revoga a lei do plebiscito, praticamente dá autorização para o prefeito vender, porque na minha avaliação, a lei que autorizou a venda vale ou gera uma discusão jurídica. Bato na tecla que temos que manter a lei do plebiscito para impedir a venda'', reafirmou.
Atualmente, a Sercomtel detém 98% do mercado de telefonia fixa, o que representa cerca de 150 mil clientes, e 43% do mercado de celulares, mais de 90 mil clientes. As duas empresas somam um faturamento anual de R$ 300 milhões.

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