Subsídio do transporte
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 25 de janeiro de 2019
Luiz Geraldo Mazza 
Subsídio do transporte
A pretensão de Ratinho Junior, declarada anteriormente, era de que manteria o subsídio do transporte coletivo, mas o reduziria. Viu-se obrigado também aí à revisão, dada a situação do momento tanto na capital como em Londrina. É prática no mundo civilizado subsídio de 40% e de até 60%. Aqui, por obra e arte do Affonsinho Camargo, inventamos o vale transporte, que acaba não alcançando todos pelos limites do mercado formal. Deu para percebê-lo agora em 2018, após triênio negativo, fechamos o ano com 529 mil empregos formais e temos carga apreciável de informais que baixam as perspectivas de consumo e que nem sempre são beneficiários do vale transporte.
Recentemente o governador esteve com o prefeito curitibano Rafael Greca tratando do tema e o receio é de uma explosão tarifária ante o temor da Urbs em aplicar a passagem eletrônica e que botaria na rua pelo menos 8 mil cobradores, porém baixaria consideravelmente a tarifa em até 12%. Para evitar tumulto na negociação transferiram a aplicação do avanço tecnológico que pretendem obter gradualmente por etapas por temor a uma greve no meio do acordo.
Num momento em que Ratinho, na ânsia de baixar custos, anuncia auditagem nas folhas de pagamento do funcionalismo, era interessante que se fizesse o mesmo com a planilha de custos do sistema de transporte em que a tarifa técnica está sempre à frente da praticada e querendo mais para acertar o equilíbrio contratual.
Há muito tempo defendo a tese de que enquanto não houver uma perícia em cima do assunto as dúvidas persistirão. Perícia já! E outra coisa: o que, afinal, a operação "Riquixá" do Gaeco apurou sobre a última licitação de Curitiba e percebe-se também a dificuldade que Londrina está encontrando para fazê-la?
Alta inercial
Numa das últimas apurações fazendárias ficou claro que a arrecadação subiu 6%, mas que as despesas tiveram alta de 8%. Como é que pode aumentar mesmo quando os salários como os do Executivo se encontram congelados? Simples: entre outras coisas barnabés têm direito, além da licença prêmio (que o governo tenta driblar para não cumpri-la), ao acréscimo dos 5% a cada quinquênio. No sufoco, há muito, o governo tentou abolir a vantagem, mas recuou.
Questões que poderão ser esclarecidas na auditagem é a de acumulação de cargos, prática nem sempre dentro das normas, isso sem falar em anomalias em promoções como aquela da Maria Candelária da marchinha de carnaval, "alta funcionária/ saltou de paraquedas// caiu na letra Ó, Ó, Ó// coitada da Maria// trabalha, trabalha de fazer dó/ Ó , Ó, Ó// À uma vai ao dentista// às duas vai ao café// às três vai à modista// às quatro assina o ponto e dá no pé// que grande vigarista que ela é...//"
A caricatura nada tem a ver com a realidade e expressou uma certa má vontade com barnabés.
O risco das falanges
A decisão do deputado federal Jean Wyllys de renunciar decorre da intensa perseguição por parte de grupos radicais que o ameaçam por sua atuação na defesa dos direitos humanos. E da mesma forma que temos instituições paralelas como as milícias, o momento brasileiro facilita, pelo fervor ideológico, o surgimento das falanges como as tivemos nos anos 60 com o CCC, Comando de Caça aos Comunistas, ou em estruturas mais formalizadas como o Ibad, Instituto Brasileiro de Ação Democrática, o mais radical da direita (por exemplo, fazia listas de empresas anunciantes do jornal "Última Hora", que deveriam ser boicotadas) e dirigido pelo deputado e jornalista Amaral Neto, e o mais refinado, o IPES, Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais, a cargo do general Golbery do Couto e Silva. No campo parlamentar o embate era entre a Ação Democrática Parlamentar, ADP, e a Frente Parlamentar Nacionalista, essa nutrida pelo ISEB, Instituto Superior de Estudos Brasileiros, minoritária nos votos, majoritária nas cassações.
Autocrítica
Importante a declaração do presidente Bolsonaro sobre o filho mais velho, Flávio, eleito senador nos rolos com assessores: "se errou terá que pagar" . Nem sempre há essa clareza na avaliação dos envolvimentos, mas tanto ele quanto o vice-presidente acham que tudo deve ser apurado direitinho. A carga diária nos jornais e outros meios de comunicação, cada vez com relatos mais chocantes, estava a exigir exatamente algo na linha institucional. Sob pressão dos militares o governo isola Flávio e a fala do presidente fecha o cerco.
Indefinição
Brasil e Estados Unidos da América, ao lado de mais 11 países,reconhecem Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela, mas o cenário não está definido como se insinuou quarta-feira na cobertura das manifestações em Caracas. O Exército, cada vez mais minado, e a Suprema Corte apoiam Maduro.
Folclore
Carlos Lacerda era terrível na caricatura dos adversários, mas não perdoava aliados, por eventuais desvios como fez com Amaral Neto, que imitava de certa forma seu estilo, mas sem tanto rebuscamento, ao apodá-lo de Amoral Nato.


