CRIME ORGANIZADO Subcomissão vai prosseguir investigações Tempo da CPI foi insuficiente para desvendar esquema de drogas do Paraná e suas ramificações com outros tipos de crimes Leandro Donatti De Curitiba A CPI do Narcotráfico vai criar uma subcomissão para dar continuidade às investigações no Paraná. Os três dias reservados pela comissão para mapear a rota e os cabeças que comandam e movimentam a droga no Estado foram insuficientes para desmontar o esquema, na avaliação do presidente da CPI, deputado federal Magno Malta. A subcomissão, ainda sem presidente destacado, deve iniciar suas atividades depois do Carnaval e vai trabalhar principalmente em cima da lavagem de dinheiro, com origem no narcotráfico. Levantamento feito pela Comissão Especial de Investigação (CEI), criada pela Assembléia Legislativa para dar suporte à CPI, revelou que em dois anos e meio foram remetidos, só de Curitiba e de Foz do Iguaçu, para o exterior, algo em torno de US$ 8 bilhões via contas CC-5. ‘‘A subcomissão vai tratar especificamente desta parte. Não esperávamos que o crime organizado estivesse tão arraigado assim no Paranᒒ, avaliou o relator da CPI, Moroni Torgan (PFL-CE). Ele disse estar surpreso com o grau de organização criminosa encontrada na Polícia Civil do Paraná. Nos três dias de investigação, a CPI fez uma devassa na corporação e escancarou uma face já bem conhecida por parte da população. No curto período no qual se instalou em Curitiba, a comissão não conseguiu, entretanto, comprovar ligações de magistrados ou de deputados com o crime organizado. Apenas suspeitas, sem embasamento qualquer, foram levantadas. Nos dias que antecederam à CPI, os parlamentares batiam na tecla de que detectariam as supostas conexões, o que acabou não se concretizando durante sua estada. ‘‘Vamos levar isso adiante. Torço para que a CEI da Assembléia também se transforme numa CPI, de caráter estadual. Isso ajudaria muito os trabalhos da CPI de Brasília e da subcomissão criada para atender o Paranᒒ, afirmou o deputado Padre Roque (PT), o único representante do Paraná nas investigações nacionais. Padre Roque fez um apelo ontem para que as câmaras municipais também vistam a camisa contra as drogas, instalando comissões de investigações municipais. ‘‘Só assim exterminaremos essa máfia’’, considerou o paranaense. A CPI perdeu as contas de quantos depoimentos colheu no Paraná durante sua permanência no Plenarinho da Assembléia. Ontem, o volume de denúncias – depois da queda do ex-delegado geral da Polícia Civil, João Ricardo Képes Noronha – era grande, informou Magno Malta. O deputado comprometeu-se a deixar cópias de todos os documentos apurados para a CEI da Assembléia. ‘‘Assim poderão dar continuidade ao que iniciamos’’, assinalou. Do Paraná, a CPI do Narcotráfico parte agora para Alagoas, Mato Grosso do Sul, Rondônia, Tocantins e Amazonas. Padre Roque disse que a comissão retorna ainda à São Paulo, para tentar avançar ainda mais nas investigações em torno da conexão da droga em Campinas. ‘‘Pelo menos desmestificamos o Paraná, que era visto como a sétima maravilha do mundo, livre de qualquer mazela. A CPI em três dias conseguiu arrebentar com parte de um esquema que está instalado no Estado há pelo menos uma década’’, assinalou Padre Roque em entrevista ontem. (Colaborou Israel Reinstein)