São Paulo - O senador Ney Suassuna (PMDB-PB) afirmou ontem que não pretende retornar ao Ministério da Integração Nacional e nem será candidato ao governo da Paraíba, segundo informações de sua assessoria no Senado. O ex-ministro divulgou a carta enviada ao presidente Fernando Henrique Cardoso comunicando sua decisão.
O senador, convidado a voltar à pasta que deixou em março, recusou o convite em função das acusações de ligações com o empresário José Elísio Ferreira Júnior, que está detido em Brasília, suspeito de envolvimento em corrupção nas obras do ministério em Catalão, Goiás.
FHC pediu a indicação de um nome a Renan Calheiros para atrair o PMDB para a pré-candidatura do tucano José Serra. O PMDB decide em convenção no próximo dia 15 se formaliza ou não a aliança com o PSDB.
Calheiros disse que Suassuna ainda tinha a confiança da bancada, apesar de um assessor informal seu ser suspeito de ter recebido propina. Suassuna nega envolvimento com o caso.
‘‘Sinto-me no dever de declinar do convite por entender, em nome da afeição e respeito que nos unem, não ter o direito de oferecer qualquer sombra de embaraço ou constrangimento ao presidente e amigo’’, afirmou o senador na carta a FHC.
O senador afirma ainda, na nota, que espera, ‘‘com serenidade e a consciência apaziguada’’, que lhe seja feita justiça pelo Conselho de Ética do Senado ‘‘das acusações falsas e mentirosas’’.
O assessor de Suassuna foi detido no dia 16 de maio quando recebia, em um carro estacionado em frente a um banco, uma mala com R$ 100 mil. Recebeu o dinheiro de Giovanni Riccardi, que trabalha para o senador Wellington Roberto (PTB-PB) e também foi preso anteontem.
Os dois são investigados pelo Ministério Público Federal por suspeita de participar de um esquema de pagamento de propina no Ministério da Integração Nacional, no Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER) e no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Escutas telefônicas feitas com autorização judicial apontam como líder do esquema um ‘‘baixinho careca’’. Num trecho, Elísio afirma: ‘‘Esse dinheiro é para o Nei comprar um apartamento’’.

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