ABONO STJ também concede auxílio a juízes Superior Tribunal de Justiça manifesta apoio à liminar de Nelson Jobim, do STF, mesmo com voto contrário do presidente Mariângela Gallucci Agência Estado De Brasília Apesar da oposição do presidente Antônio de Pádua Ribeiro e de outros quatro ministros, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) resolveu ontem seguir a decisão do ministro Nelson Jobim, do Supremo Tribunal Federal (STF) que garantiu o pagamento de auxílio-moradia aos juízes federais, trabalhistas e militares. Os cinco integrantes do STJ contrários ao pagamento do benefício se recusaram a receber o auxílio-moradia. Como dez dos 11 ministros do STF não quiseram receber o auxílio-moradia, os integrantes do STJ que aceitaram o benefício e estão no fim de carreira poderão ganhar mais do que membros do STF. A soma do salário do STJ com o auxílio-moradia é de R$ 9.900,00. Com os adicionais por tempo de serviço, eles poderão ganhar R$ 12.720,00. No STF, apenas três ministros recebem essa quantia: Néri da Silveira e Maurício Corrêa – que também dão expediente no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) – e Marco Aurélio Mello, o único integrante do Supremo a aceitar o auxílio-moradia. Principal articulador da greve nacional dos magistrados, o presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), Fernando Tourinho Neto, comemorou a decisão do STJ. ‘‘O ministro Pádua Ribeiro reuniu o plenário com o propósito de influenciar os ministros a não cumprir a decisão do Supremo’’, criticou ontem Tourinho Neto. O presidente do STJ disse que é contrário ao pagamento do auxílio-moradia porque considera que o benefício tem ‘‘origem discutível’’. Segundo Ribeiro, as verbas devem ser pagas somente após a aprovação de uma lei pelo Congresso. Além de Ribeiro, foram contrários ao pagamento do auxílio-moradia os ministros Edson Vidigal, Sálvio de Figueiredo Teixeira, Peçanha Martins e Milton Pereira. Os outros 24 integrantes do STJ presentes na reunião do plenário votaram a favor da concessão do benefício. Tourinho Neto disse ontem que Ribeiro não precisava ter convocado o plenário para decidir sobre o auxílio-moradia. ‘‘Mas ele convocou porque pensava que o plenário iria recusar’’, contou o presidente da Ajufe. ‘‘Se quisesse, poderia mandar cumprir a decisão sozinho’’, completou. O presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), ministro Wagner Pimenta, resolveu sozinho cumprir a decisão do STF. Na segunda-feira, ele baixou um ato determinando o pagamento do auxílio-moradia a todos os juízes trabalhistas. Na Justiça Militar, o Superior Tribunal Militar (STM) ainda não tomou nenhuma decisão sobre o cumprimento da liminar de Jobim. Ao conceder o abono, o STF deixou de lado o papel de árbitro das grandes questões do País, passou por cima da lei, agiu de forma corporativa e arranhou a imagem do Poder Judiciário. A opinião é do professor de Ciência Política e pesquisador do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj) Luiz Werneck Vianna. ‘‘O Executivo e o Legislativo conseguiram sair-se bem, enquanto o Judicário acabou exposto por causa de uma má negociação.’’ O professor do Iuperj disse que o Supremo deveria ter deixado os juízes entrar em greve. Dessa forma, teria sofrido menos desgaste. ‘‘A saída agora é o STF anular a decisão’’, disse Vianna.