Brasília - Por três votos a um, a 5 Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou ontem o pedido de liberdade ao contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. O advogado de defesa Márcio Thomaz Bastos adiantou que vai recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) com os mesmos argumentos e com novo pedido de liberdade para seu cliente. Ele afirmou que não há necessidade de manter Cachoeira preso e seria possível deixá-lo em liberdade impondo algumas restrições previstas em lei, como recolhimento do passaporte, comparecimento em juízo e a proibição para viajar.
Votaram pela manutenção da prisão de Cachoeira os ministros Gilson Dipp, Jorge Mussi, Marco Aurélio Bellizze. O único a votar pela liberdade de Cachoeira foi o ministro Adilson Macabu. Ele afirmou em seu voto que manter o contraventor preso significa antecipar uma punição, sendo que ele ainda não foi condenado. O ministro impunha a Cachoeira algumas restrições como a entrega do passaporte, a obrigação de permanecer em domicílio à noite e em feriados, comparecimento a juízo com a frequência que o magistrado determinar e a proibição de que mantenha contatos com determinadas pessoas que também possam fazer parte do esquema.
O advogado Márcio Thomaz Bastos admitiu que, numa eventual reconvocação pelo Congresso, Cachoeira poderá falar à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI). Ele afirmou que Cachoeira não poderia falar no depoimento de ontem porque ainda precisa ser julgado pela Justiça em Goiás e porque há uma ação tramitando que contesta a legalidade das escutas telefônicas feitas com autorização judicial. ''Ele não podia falar neste momento'', afirmou. ''Ele pode voltar e falar''. Bastos disse que, no dia 31 de maio e 1º de junho, Cachoeira será ouvido pela Justiça em Goiânia.

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