STJ nega habeas corpus a mulher de ex-inspetor
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 19 de maio de 2015
Luís Fernando Wiltemburg<br>Reportagem Local 
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou ontem habeas corpus impetrado pela defesa de Ana Paula Pelizari Marques Lima, presa por suspeita de envolvimento no esquema de cobrança de propinas a empresários por auditores da Receita Federal que é investigado pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Londrina. Ela é mulher de Márcio Albuquerque de Lima, ex-inspetor-geral da Receita apontado como chefe do esquema e copiloto do governador Beto Richa (PSDB) em corridas automobilísticas. Douglas Maranhão, um dos advogados de Ana Paula, confirmou ontem o despacho, mas disse não ter tido acesso ao teor. A publicação está prevista para hoje.
A decisão do STJ confirma despacho do Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná, que negou pedido semelhante na quinta-feira passada. A defesa de Ana Paula alega que ela sofre constrangimento pela prisão preventiva baseada em "fantasiosas elucubrações" do envolvimento dela nos fatos investigados e que não há elementos que ensejem sua prisão cautelar. Também argumenta que a gravidade dos delitos que teriam ocorrido, mas ainda não indiciados, não pode fundamentar a decisão cautelar.
Porém, em seu voto, o desembargador Laertes Ferreira Gomes afasta a ocorrência de constrangimento ilegal por considerar que há elementos que indiquem a participação dela em conluio com outros investigados - "inclusive por ser esposa de um dos mentores da organização criminosa", ressalta o magistrado e pelo recebimento e oferta de valores ilícitos, "inclusive efetuado pagamentos, para a finalidade de corromper agentes do Gaeco no intuito de repassar informações privilegiadas ao restante da organização criminosa".


