São Paulo - O Superior Tribunal de Justiça (STJ) vai devolver nos próximos dias o inquérito da Operação Navalha para o Ministério Público Federal (MPF), para a produção e análise das provas em parceria com a Polícia Federal (PF). O inquérito apura a ação da suposta quadrilha que fraudava licitações para realização de obras públicas.
Segundo o STJ, o inquérito vai ser devolvido ao MPF para a apresentação de denúncia. O inquérito só retorna para o STJ após o oferecimento da denúncia. Quando retornar ao STJ, a ministra Eliana Calmon - relatora do caso - dará seu voto e relatório que serão submetidos à Corte Especial. A partir daí é que começa a fase judicial.
Dos 48 presos, só três se recusaram a depor: Zuleido Veras (dono da Gautama), Alexandre de Maia Lago e Francisco de Paula Lima Júnior -os dois últimos são sobrinhos do governador do Maranhão, Jackson Lago (PDT).
A devolução do inquérito ocorre após a ministra Eliana Calmon tomar depoimentos dos acusados de envolvimento com a suposta máfia. Foram oito dias de depoimentos.
A Polícia Federal prendeu 48 pessoas durante a Operação Navalha. Entre os presos estavam o ex-governador do Maranhão José Reinaldo Tavares (PSB); o filho do ex-governador João Alves Filho (DEM-SE), João Alves Neto; além dos prefeitos de Sinop, Nilson Aparecido Leitão (PSDB-MT), e de Camaçari, Luiz Carlos Caetano (PT-BA). Todos foram soltos após depor para Calmon ou por meio de habeas corpus do STF (Supremo Tribunal Federal).
A quadrilha atuava no Distrito Federal e em nove Estados - Alagoas, Bahia, Goiás, Mato Grosso, Sergipe, Pernambuco, Piauí, Maranhão e São Paulo - infiltrada nos governo federal, estadual e municipal. Segundo a PF, a quadrilha desviou recursos do Ministério de Minas e Energia, da Integração Nacional, das Cidades, do Planejamento, e do Dnit (Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes).
Para obter vantagem nas licitações para obras públicas, a empresa pagava propina e dava presentes para as autoridades envolvidas.

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