Curitiba - Diante da possibilidade de uma intervenção federal no Paraná por descumprimento de pedido de reintegração de posse, o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) solicitou ontem mesmo à Advocacia Geral da União (AGU) que interceda na questão. A polêmica começou após decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que atendeu solicitação dos proprietários da Agropecuária Três Elos, localizada em Quedas do Iguaçu (Sudoeste). A fazenda está ocupada há mais de seis anos pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
Em seu despacho, a ministra Nancy Andrighi reclama que o governo do Paraná tem sistematicamente evitado a reintegração de áreas consideradas pela Justiça irregularmente ocupadas. ''Com isso, uma medida que deveria ter caráter absolutamente excepcional vem, infelizmente, tornando-se quase corriqueira'', lamentou Andrighi, referindo-se a outros 11 processos de intervenção federal no Paraná. Em nota, a administração estadual informou que aguarda indicação do Incra sobre onde alojar as famílias, pois não seria possível realizar a reintegração de posse sem isso.
Neste caso em específico, o superintendente do Incra no Paraná, Nilton Bezerra Guedes, afirma que não há motivo para cumprir a ordem imediatamente. O órgão, segundo ele, aguarda decisão da Justiça sobre a posse da área, que o Incra entende ser da União. ''Trata-se de um equívoco. Há evidência de que é um terreno público. Seria incoerente reintegrar uma área que logo depois vamos reaver'', explica. Guedes questiona a autenticidade dos documentos apresentados pela Agropecuária Três Elos. ''O Paraná tem 300 mil propriedades rurais e apenas 72 estão ocupadas. ''Faz mais de dois anos que não há ocupação de terra no Paraná, como também não há despejo. Os números são frios, é preciso entender o contexto'', rebate Guedes.

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