STJ afasta três delegados da PF
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terça-feira, 29 de maio de 2007
Andréa Michael e Andreza Matais<BR>Folhapress 
Brasília - O Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou o afastamento de três delegados da Polícia Federal de suas funções por 60 dias, sob a suspeita de que prejudicaram investigações policiais. A decisão judicial, relacionada à operação Navalha, inclui o delegado Zulmar Pimentel, diretor-executivo da PF e segundo homem na hierarquia do órgão.
Além de Zulmar, serão afastados do cargo o delegado César Nunes, superintendente da PF na Bahia, e o delegado aposentado Paulo Bezerra, que atualmente é secretário de Segurança Pública da Bahia. A decisão também abrange outros funcionários públicos envolvidos com o esquema descoberto de fraude a licitações descoberto pela Navalha.
Em nota oficial, a PF informou que irá instaurar procedimento disciplinar administrativo para investigar as denúncias e requisitou ao STJ as peças da investigação.
Conforme a PF registrou no inquérito da Navalha, Pimentel teria revelado dados sigilosos ao colega João Batista Santana, que na ocasião era superintendente da PF no Ceará e também estava sob investigação.
O inquérito da Navalha revela que o diretor-executivo da PF viajou para Fortaleza, no dia 3 de março deste ano, para avisar ao então superintendente da PF no Ceará, João Batista Santana, da investigação.
Na ocasião, Pimentel teria repassado informações ao colega sobre a Octopus e, em seguida, exonerou o superintendente do cargo.
Conforme a PF, ao avisar Santana, a informação sobre a investigação com alvo nos policiais teria se alastrado pelo grupo e prejudicado o andamento da apuração. Para não perder os dados apurados até então e evitar novos vazamentos, a PF transferiu o comando da Octopus para Brasília. Os delegados afastados, no entanto, serão ouvidos na Bahia.
A decisão da ministra deve dificultar as pretensões de Pimentel de substituir Paulo Lacerda na direção-geral da PF. Desde que as denúncias vieram à tona, ele vinha sendo sustentado no cargo por Lacerda, apesar da pressão de policiais federais para que fosse afastado.
Nunes e Bezerra, conforme investigação da PF batizada de Octopus, que começou em 2005 e deu origem à Navalha, são suspeitos de envolvimento com uma quadrilha que fraudava licitações. Eles passariam informações sigilosas a um grupo de empresários da Bahia especializado em crimes de fraude a licitação no Estado.
Zulmar será provisoriamente substituído pelo delegado Getúlio Bezerra, diretor da Divisão de Combate ao Crime Organizado. No lugar de Nunes, assumirá o delegado Joílson Ribeiro Alves.
Zulmar e Nunes foram notificados da decisão judicial por Lacerda ontem à noite. Além de Nunes, Zulmar e Bezerra, os delegados Rubem Patury (de Sergipe) e Santana (do Ceará) são suspeitos de praticar irregularidades investigadas na Octopus. Mas, como estão aposentados e não exercem funções públicas, não foram citados no despacho da ministra.


