Curitiba - O deputado estadual Natálio Stica (PT) renunciou na manhã de ontem ao cargo de 1º vice-presidente da Assembléia Legislativa. Ungido há um mês pelo governador Roberto Requião (PMDB) para assumir a liderança do governo no lugar do também petista Angelo Vanhoni, Stica já avisou que vai articular a manutenção do veto de Requião ao artigo 47 do Plano de Cargos e Salários dos professores. Segundo ele, que atua oficialmente como líder desde ontem, o veto não chega ao plenário antes do dia 15 deste mês. ''Tem dez dias para que o relator (Antonio Anibelli) na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) apresente parecer, e depois disso algum deputado pode pedir vistas'', afirmou, deixando claro que o governo não tem interesse muito menos pressa na votação do veto, que acaba com o pagamento dos aumentos retroativo a fevereiro.
O novo líder também anunciou que vai colocar em votação, nas próximas semanas, o projeto que dobra o salário dos secretários de Estado de R$ 6 mil para R$ 12 mil brutos. O projeto leva a assinatura do líder do PMDB, Antonio Anibelli. Stica avalia que os secretários ''trabalham muito e ganham pouco'', e portanto merecem o aumento no contracheque.
A saída de Vanhoni da liderança, que vai cuidar da sua campanha para prefeito de Curitiba, abriu uma disputa interna. Três deputados querem ficar no lugar de Stica, que pelo Regimento Interno não pode acumular a liderança e a 1 vice. Augustinho Zucchi (PDT) 2º vice , Ratinho Júnior (PPS) e André Vargas (PT) estão de olho na vaga. A eleição para escolher o novo 1º vice deve acontecer na quarta-feira. Após a renúncia, o Regimento Interno fixa prazo de cinco dias para que seja escolhido substituto.
Em entrevista à Folha por telefone, no início da tarde de ontem, Zucchi disse que pretende disputar, mas que a Assembléia deveria dar uma demonstração de maturidade e escolher um nome de consenso, que seria mais tarde apenas avalizado pelo plenário. ''Vou propor uma reunião de líderes na segunda-feira, após a sessão'', disse. Zucchi está disposto a abrir mão de concorrer, caso os demais deputados prefiram fechar acordo em torno de outro nome. Nos bastidores, corre a tese de que André Vargas que já conversou com o governador deve receber o apoio dos demais.
Uma das primeiras providências de Stica será fazer um raio-x da base aliada. Em tese, a oposição tem apenas seis dos 54 parlamentares. Mas a falta de líder nas últimas semanas Vanhoni tem se mantido afastado e a celeuma causada pela proposta de CPI do Porto podem provocar baixas na base aliada. Stica pretende conversar com cada um dos governistas para saber quem está na base com certeza.

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