Curitiba – O ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), destacou em sua decisão que oficializou a homologação da delação premiada realizada pelo doleiro Alberto Youssef que existem indícios efetivos da participação de diversos políticos nos crimes investigados pela Operação Lava Jato. O termo da colaboração do londrinense foi tornado público nesta semana, entretanto, o conteúdo dos depoimentos feitos pelo colaborador ainda estão sob sigilo.
"Dos documentos juntados com o pedido (de homologação) é possível constatar que, efetivamente, há elementos indicativos, a partir dos termos do depoimento, de possível envolvimento de várias autoridades detentoras de prerrogativa de foro perante tribunais superiores, inclusive de parlamentares federais, o que atrai a competência do Supremo Tribunal Federal", ressaltou o ministro em trecho do despacho do dia 19 de dezembro do ano passado, mas anexado somente na última quarta-feira no inquérito da operação.
Outro trecho da decisão de Zavascki ressalta que ainda encontram-se atualmente em curso mais de 250 procedimentos investigatórios, "no âmbito dos quais foram expedidos mandados de busca e apreensão, de condução coercitivas e prisão, além da decretação do afastamento do sigilo bancário de diversas pessoas físicas e jurídicas".

DINHEIRO SUJO


No acordo de delação celebrado com a força-tarefa do Ministério Público Federal (MPF), o doleiro, peça-chave nas investigações da Operação Lava Jato, admite que adquiriu diversos bens com dinheiro fruto de atividades criminosas, entre eles seis apartamentos (306, 315, 319, 507, 904 e 1.502) no Hotel Blue Tree Premiun, no centro de Londrina. Ao fechar a colaboração, ele concordou em devolver a série de bens, entre imóveis, carros e participações em empresas, além de quantias que possam ter sido depositadas no exterior (veja infográfico nesta página).
Pelo acordo, as filhas de Youssef poderão continuar usando os dois carros blindados e ficarão com um apartamento dele localizado na Rua Elias César, em Londrina. Ainda foi autorizado pela Justiça a liberação em favor da ex-mulher do doleiro um apartamento em São Paulo, "desde que ela não questione judicialmente a entrega à Justiça dos outros bens".
O doleiro também abriu mão de R$ 1,8 milhão apreendidos na GFD Investimentos, bem como US$ 20 mil. Youssef ofereceu ainda para a Justiça, a título de multa, um imóvel formado por prédios de sobrado no bairro de São Cristóvão, no Rio de Janeiro. Nesse caso, ele poderá futuramente repassar o imóvel para suas filhas, dependendo dos valores recuperados no final dos processos. Para cada R$ 50 milhões que Youssef ajudar a Justiça resgatar no exterior, ele poderá recuperar bens no valor de R$ 1 milhão.
O termo assinado pelo doleiro com o MPF prevê a rescisão caso seja encontrado outro bem após a celebração do acordo. Ele autorizou o MPF a acessar todos os extratos de transferências financeiras feitas por ele no Brasil e no exterior. O acordo ainda prevê que Youssef não poderá cometer qualquer tipo de crime por um prazo de 10 anos, ficando sujeito a responder aos processos e às penas que lhe forem imputadas nos processos da Lava Jato. Após esse prazo, se ele cometer algum novo crime, ele também voltará a responder às ações da Lava Jato, mas só poderá receber penas por crimes que ainda não tenham prescrito.
Conforme a FOLHA já havia adiantado, o termo do acordo prevê que o londrinense deve ficar no mínimo três anos em regime fechado, já descontando o tempo cumprido de prisão preventiva, na carceragem da Polícia Federal (PF), em Curitiba. "Podemos considerar que o acordo foi muito positivo. Pela quantidade de denúncias, além dos processos referentes ao Banestado que tinham sido reativados, caso fosse condenado, o Youssef pegaria uma pena superior a 100 anos de prisão. Muitos estão achando que o acordo foi muito bom para ele, mas tudo foi fechado pensando na efetividade de sua colaboração, não foi algo unilateral. Foram mais de 100 horas de depoimentos que foram esclarecedores e que auxiliaram nas investigações. Agora vamos solicitar brevemente a prisão domiciliar devido aos problemas de saúde que ele possui", disse o advogado de Youssef, Antônio Figueiredo Basto.

O doleiro também abriu mão de R$ 1,8 milhão apreendidos na GFD Investimentos
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