STF vai retomar inquérito da morte de PC Farias
Agência Folha
De Brasília
O Supremo Tribunal Federal aguarda manifestação da Procuradoria-Geral da República para dar prosseguimento a inquérito criminal para apurar a eventual responsabilidade do deputado federal Augusto Farias (PPB-AL) na morte do irmão Paulo César Farias e de Suzana Marcolino, namorada do tesoureiro do ex-presidente Fernando Collor de Mello.
O relator do inquérito, ministro Sepúlveda Pertence, recebeu cópia de toda a investigação feita pela polícia de Alagoas, no total de 3.479 folhas, e deverá aguardar as recomendações do procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, para ordenar à Polícia Federal que inicie a apuração. O caso foi remetido ao STF pelo juiz de direito Alberto Jorge Lima, da 2ª Vara Criminal do Estado.
O juiz tomou essa iniciativa porque Farias foi indiciado no final de 1999 como co-autor do crime, após as novas investigações sobre a morte de PC e da namorada, em junho de 1996. O indiciamento ocorre quando a polícia considera que há indícios de participação do investigado no crime em apuração. Os parlamentares federais só podem ser investigados criminalmente pelo Supremo.
A atuação da PF no caso independerá de autorização da Câmara dos Deputados. Após essa fase, Pertence pedirá à Câmara licença para processar Augusto se considerar que há razões suficientes. No despacho que enviou ao STF, o juiz fez as seguintes considerações: as duas investigações sobre o caso contêm contradições, a suspeita contra o irmão de PC é fato público e notório e o médico legista Badan Palhares agiu de modo estranho na apuração do caso em Alagoas. Lima afirma que Badan não entregou à Justiça o material usado na perícia que comandou sobre a morte de PC e Suzana, com exceção de algumas fitas sem som, e que caiu em contradição sobre a altura da namorada de PC.
O laudo da perícia realizada por Badan fundamentou a conclusão do primeiro inquérito, de que ela matou PC e se suicidou. A polícia de Alagoas e o Ministério Público investigam o laudo elaborado por Badan e uma equipe de legistas por ele comandada.





