São Paulo - O PT divulgou, na tarde de ontem, uma nota criticando a ''partidarização'' do Judiciário e acusando o Supremo Tribunal Federal (STF) de ter feito um julgamento ''político'' do escândalo do mensalão. O texto foi elaborado após a definição das penas do ex-ministro José Dirceu, do ex-presidente do partido José Genoino e do ex-tesoureiro Delúbio Soares, ocorrida na última segunda-feira. Na nota, a Executiva Nacional do PT acusa o STF de ter adotado ''dois pesos e duas medidas'' ao negar o desemembramento da ação penal do mensalão e julgar na corte mesmo os réus que não têm foro privilegiado. Afirma que o tribunal agiu em sentido contrário no caso do mensalão tucano de Minas Gerais.
O partido afirmou que a condenação do ex-ministro José Dirceu com base na teoria do domínio do fato - segundo a qual o autor não é só quem executa o crime, mas quem tem o poder de decidir sua realização e faz o planejamento para que ele aconteça - cria um ''precedente perigoso: o de alguém ser condenado pelo que é, e não pelo que teria feito''.
Dirceu é o único dos réus citados nominalmente na nota, e apenas nesse trecho. O julgamento foi classificado como ''nitidamente político'' pelo PT, que atacou a coincidência com o calendário eleitoral e a adoção do domínio do fato para ''compensar a escassez de provas''.
''Embora realizado nos marcos do Estado Democrático de Direito sob o qual vivemos, o julgamento, nitidamente político, desrespeitou garantias constitucionais para retratar processos de corrupção à revelia de provas, condenar os réus e tentar criminalizar o PT'', diz o texto.

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