STF pede informações sobre Operação Lavaduto
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 23 de maio de 2006
Janaina Garcia<br> Reportagem Local 
O ministro Cézar Peluso, do Supremo Tribunal Federal (STF), solicitou ontem à 2 Vara Federal Criminal de Curitiba informações sobre a ''Operação Lavaduto'', instaurada pela Polícia Federal (PF) e que cita pessoas ligadas ao deputado federal José Janene (PP). Na última quinta-feira, a ação da PF rendeu quatro mandados de busca e apreensão em supostas empresas de fachada investigadas em São Paulo e cinco mandados em Londrina, cumpridos no escritório político do parlamentar, na residência de um casal de assessores e em uma mansão em fase de acabamento da esposa de Janene, Stael Fernanda, no condomínio de luxo Royal Golf.
A operação integra o inquérito instaurado pela PF de Londrina em 2004, na qual o casal de assessores Rosa Alice Valente e Meheidin Hussein Jenani e a esposa do ex-líder do PP no Congresso são investigados por lavagem de dinheiro e crime contra o sistema financeiro.
O pedido de informações do STF foi direcionado ao juiz substituto da 2 Vara Federal Criminal, Guéverson Rogério Farias, de onde partiram os mandados, e deve ser repassado também ao Ministério Público Federal (MPF). A iniciativa é uma espécie de consulta antes de Peluso analisar o pedido de liminar ingressado esta semana pela defesa de Janene. Nele, o advogado Adolfo Góis pede não apenas a devolução dos documentos apreendidos e que pertençam especificamente ao deputado, como também que qualquer investigação contra ele seja conduzida apenas no Supremo, uma vez que tem foro privilegiado.
Entretanto, Peluso - que é relator da reclamação da defesa - considerou inconsistentes os mandados de busca e apreensão e o termo de arrecadação arrolados na inicial como forma de comprovar que a responsabilidade penal de Janene no crime de lavagem também seguia sob investigação da PF. No dia das apreensões, o mesmo ministro negara provimento ao habeas corpus que pedia a suspensão da operação.
O delegado que preside o inquérito, Gerson Machado, descartou anteontem na abertura dos oito malotes de documentação apreendidos em Londrina a possibilidade de devolver parte do material ao parlamentar. De acordo com o policial, a instrução judicial é para que o relatório circunstanciado com os detalhes de item por item seja repassado via fax à 2 Vara e ao MPF, que podem decidir pela devolução ou não. A triagem das apreensões deve ser concluída hoje e anexada aos autos até o final da semana, para que seja então iniciada a fase dos depoimentos de Stael e dos dois assessores.


